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Reincidência criminal e população em situação de rua entram no debate sobre segurança pública no DF

Ex secretário de Segurança Pública Sandro Avelar defende mudanças na legislação e afirma que atuação das forças policiais, isoladamente, não é suficiente para enfrentar o problema

 

O candidato à Câmara dos Deputados e ex secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Sandro Avelar, participou do debate com os candidatos ao Governo do Distrito Federal realizado na terça feira, 1º de setembro, ao lado da governadora Celina Leão. Durante o encontro, Avelar abordou o crescimento da população em situação de rua e relacionou parte da sensação de insegurança enfrentada pelos moradores à reincidência em crimes como furtos.

Ao analisar o cenário, o ex secretário afirmou que o Distrito Federal também recebe pessoas vindas de outras regiões e defendeu uma atuação que ultrapasse os limites das forças de segurança.

“Bem, eu acho que todos nós estamos vendo a situação da população de rua, esse tipo de situação que a gente tem vivido aqui no Distrito Federal. O Distrito Federal é um polo que acaba atraindo muita gente de fora. Isso é público, é notório. Acho que todos nós temos esse mesmo sentimento e também haveremos de reconhecer que a gente não consegue resolver isso só com as forças de segurança pública”, afirmou Sandro Avelar.

Na avaliação do ex secretário, um dos pontos que precisam ser enfrentados é a reincidência. Ele afirmou que existem casos de pessoas detidas repetidamente pelas forças policiais e que, posteriormente, retornam às ruas.

“A grande maioria dessas pessoas que estão cometendo furtos já foi presa cinco, dez, vinte, trinta vezes. E eu não estou falando aqui um número como metáfora, não é nenhum exagero, não é nenhuma hipérbole. São números reais. Pessoas que já foram presas trinta vezes pela Polícia Militar, foram levadas à delegacia da Polícia Civil e voltaram às ruas e continuam aí”, declarou.

Avelar defendeu ainda mudanças na legislação e argumentou que a responsabilidade pelo enfrentamento da criminalidade não pode ficar concentrada exclusivamente nas polícias e demais órgãos que integram o sistema de segurança pública.

“Se a gente não tiver essa consciência de que é preciso fazer mudanças, inclusive mudanças legislativas, e continuar achando que isso é responsabilidade tão somente da Polícia Militar, da Polícia Civil ou das forças de segurança, a gente não vai conseguir evoluir”, disse.

Segundo o ex secretário, as forças policiais realizam prisões, mas parte dos detidos retorna à liberdade em razão de decisões tomadas com base na legislação vigente. Para Avelar, esse cenário demonstra a necessidade de uma discussão mais ampla sobre as regras aplicadas aos casos de reincidência.

“Não se pode negar que a segurança pública está atuando, prendendo essas pessoas, que voltam por força de decisões judiciais, que, por outro lado, são tomadas a partir de uma lei que é absolutamente frágil e que permite que o criminoso reincidente, que cometeu cinco, dez, vinte, trinta vezes o mesmo crime, desde que não seja um crime considerado de sangue ou praticado com mais violência, retorne às ruas”, afirmou.

Avelar também avaliou que a percepção cotidiana de insegurança da população está fortemente relacionada aos crimes patrimoniais. Na visão do ex secretário, o receio de ser vítima de furto está mais presente na rotina dos moradores do que o temor de crimes de maior gravidade.

“O grande sentimento de insegurança da população não é realmente com relação aos crimes violentos letais intencionais. Eu acho que ninguém sai de casa achando que vai ser vítima de um homicídio, mas todos saem de casa com medo de ser vítima de furto”, avaliou.

Ao concluir, Sandro Avelar voltou a chamar atenção para a reincidência e afirmou que a repetição dos mesmos delitos por pessoas que já passaram diversas vezes pelo sistema policial aumenta a sensação de insegurança.

“É triste saber que, caso esse furto aconteça, poderá ser praticado por alguém que já cometeu cinco, dez, vinte, trinta vezes esse mesmo crime e continua em liberdade”, concluiu.

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