A disputa jurídica entre Flamengo e Estudiantes de La Plata ganhou um capítulo oficial na noite desta sexta-feira (30). O clube carioca quebrou o silêncio e publicou uma nota oficial detalhando seu posicionamento em relação ao processo que corre na Conmebol e no Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), deixando claro que não vai jogar a toalha. O imbróglio, que envolve a suposta escalação irregular do zagueiro Marcos Rojo por parte da equipe argentina na Copa Libertadores, segue sem um desfecho definitivo, enquanto o “jogo continua aberto” nos bastidores.
A manifestação pública do Rubro-Negro ocorre em um momento de extrema tensão logística. Em paralelo aos esforços jurídicos do Flamengo, que solicitou formalmente a suspensão da venda de ingressos para a grande decisão, a Conmebol confirmou que as entradas para a finalíssima já estão completamente esgotadas na pré-venda exclusiva realizada via Mastercard. A entidade máxima do futebol sul-americano optou por seguir o cronograma comercial, ignorando o pedido de congelamento feito pelo clube carioca.
Na nota divulgada, a diretoria do Flamengo reforça sua estratégia legal e cobra uma postura firme das autoridades esportivas. O clube se ampara em jurisprudências recentes da própria Conmebol, como o “Caso Santos”, no qual um atleta atuou sem condições regulares de jogo e a entidade aplicou punições severas de forma imediata. Internamente, o departamento de futebol do time brasileiro mantém vivas as esperanças de que o tribunal europeu adote critérios extremamente rigorosos ao analisar minuciosamente o episódio.
Por outro lado, o Estudiantes de La Plata sustenta sua defesa na validação prévia do sistema de registros da federação, alegando que não houve má-fé na utilização do jogador. Enquanto os departamentos jurídicos travam essa batalha de bastidores com recursos e contrarrazões, o clima de incerteza toma conta dos torcedores, que tentam entender como ficará a homologação final do chaveamento após a comercialização em massa dos bilhetes.
Reviravoltas drásticas e improvisos de última hora, contudo, estão longe de ser novidade na história da Conmebol. O torcedor mais atento certamente se lembra da inédita final única de 2019, quando a entidade determinou a troca de sede de Santiago para Lima faltando apenas 18 dias para a decisão entre Flamengo e River Plate devido a protestos no Chile. Da mesma forma, a polêmica Copa América de 2021 foi transferida às pressas para o Brasil a meros 13 dias da partida de estreia, em meio às graves restrições da pandemia de Covid-19.
Caso a corte dê parecer favorável ao clube brasileiro, a federação continental enfrentará um enorme desafio institucional e de segurança pública. Cancelar a venda de ingressos já adquiridos ou bloquear o acesso da torcida argentina em cima da hora seria apenas mais um capítulo controverso e tumultuado na extensa lista de peculiaridades que marcam os bastidores do futebol sul-americano.