Recém-saídos do ovo, filhotes recém-nascidos acabam separados das fêmeas e mortos em poucas horas. Nesse sentido, uma nova investigação da organização Mercy For Animals revelou cenas gravadas em um incubatório comercial. As imagens expõem uma rotina mantida há décadas pela avicultura: o abate de pintinhos machos, descartados por não produzirem ovos nem gerarem lucro.
Além disso, estimativas citadas pela entidade indicam que cerca de 7 bilhões de animais morrem anualmente em unidades pelo mundo. Isso significa uma média aproximada de 200 mortes por segundo.
Por isso, entidades de bem-estar animal cobram a ampliação da tecnologia de sexagem in ovo. Afinal, o método identifica o sexo do embrião ainda durante a incubação, evitando o nascimento e a eliminação dos machos.
Métodos usados na eliminação de filhotes na indústria de ovos
A investigação detalhou a rotina operacional das granjas e os métodos aplicados para descartar os animais. Atualmente, as técnicas de eliminação incluem a trituração mecânica e o sufocamento por gás:
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Trituração (Maceração): Os filhotes entram vivos em máquinas equipadas com lâminas ou rolos giratórios de alta velocidade;
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Gaseamento: Os pintinhos seguem para câmaras seladas onde o ar dá lugar ao dióxido de carbono ($CO_2$) em alta concentração.
Ainda que os machos representem a maioria das vítimas, as equipes também descartam fêmeas recém-nascidas. Segundo a ONG, o processo elimina pintinhas que apresentem malformações ou padrões fora das exigências do mercado.
Sexagem in ovo surge como alternativa viável
Por outro lado, o setor já conta com alternativas para encerrar essa prática nos incubatórios. A tecnologia de sexagem in ovo analisa o embrião dentro do próprio ovo, impedindo o desenvolvimento dos machos. Inclusive, mercados como o Brasil e os Estados Unidos já utilizam essa solução em escala comercial.
Do mesmo modo, uma das opções mais modernas combina ressonância magnética e inteligência artificial. Segundo o veterinário Andrew Knight, o sistema alcança precisão superior a 99%, gera resultados em menos de um segundo e custa cerca de um centavo por unidade.
“A identificação ocorre antes do 13º dia de incubação, período em que o embrião ainda não desenvolveu a capacidade de sentir dor”, explicou o especialista. Além do mais, cientistas no Canadá criaram um teste capaz de identificar o sexo do embrião logo no quarto dia de desenvolvimento.
Avanço tecnológico enfrenta barreiras na distribuição global
Apesar das inovações, a aplicação dessa tecnologia avança em ritmo lento pelo mundo. Consequentemente, a falta de obrigatoriedade e os custos de transição mantêm o abate de pintinhos machos como o método mais comum no mercado avícola global.
Em suma, entidades de defesa animal pressionam órgãos reguladores e grandes redes de supermercados por mudanças nas regras. Para o setor produtivo, a transição depende do acesso simplificado aos novos equipamentos. Assim, o combate a esse descarte exige investimentos contínuos em tecnologia e atualização na legislação.