Ações do GDF retiram 42 pessoas das ruas e reforçam política de acolhimento
Operação Retorno possibilita reencontro com familiares em outros estados e ganha importância diante do aumento de ocorrências que têm preocupado moradores do Distrito Federal
O Governo do Distrito Federal intensificou as ações voltadas às pessoas em situação de rua e, desde janeiro, 42 delas já receberam passagens para retornar às cidades de origem ou para locais onde mantêm vínculos familiares e comunitários.
O trabalho faz parte da Operação Retorno e integra a política de assistência social do DF. A governadora Celina Leão afirmou que equipes realizam diariamente ações de acolhimento em diferentes regiões da capital.
Nesta semana, um dos mutirões alcançou 42 pontos de Sobradinho, Sobradinho II, Samambaia e Plano Piloto. As equipes identificam as necessidades de cada pessoa e apresentam as possibilidades oferecidas pela rede pública.
O retorno para outro estado é voluntário e depende de avaliação técnica. A medida busca principalmente possibilitar a reconstrução de vínculos familiares e comunitários para pessoas que desejam deixar as ruas.
Episódios recentes ampliam preocupação
As ações ganham ainda mais relevância diante de uma sequência de ocorrências que tem provocado apreensão entre moradores. Em aproximadamente duas semanas, pelo menos nove episódios de violência envolvendo pessoas em situação de rua foram registrados no Distrito Federal.
Entre os casos estão a agressão contra uma criança de 5 anos na Asa Sul, o assassinato de um servidor do Senado em Taguatinga e a invasão de apartamentos que terminou com uma idosa de 97 anos mantida refém.
Embora os crimes sejam atribuídos a indivíduos e não possam servir para criminalizar toda uma população vulnerável, a concentração de episódios em um curto período aumenta a pressão por respostas mais efetivas.
Desafio vai além das abordagens
O momento exige que assistência social e segurança pública avancem de maneira coordenada. Retirar uma pessoa das ruas sem oferecer condições para reconstruir sua vida dificilmente representa uma solução permanente. Da mesma maneira, episódios de violência não podem ser ignorados sob a justificativa da vulnerabilidade social.
A Operação Retorno representa uma das alternativas adotadas pelo GDF, mas os acontecimentos recentes mostram que o desafio é maior.
A população espera que o reforço das ações seja percebido também no cotidiano das cidades, preservando o atendimento digno de quem precisa do Estado e evitando que a sucessão de ocorrências comprometa a tranquilidade nos espaços públicos do Distrito Federal.