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Alinhamento Diplomático: Brasil e Rússia Discutem Crise na Venezuela

Alinhamento Diplomático: Brasil e Rússia Discutem Crise na Venezuela

Nesta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Vladimir Putin realizaram uma conferência telefônica de 45 minutos para tratar da crescente instabilidade política na América Latina. O diálogo, iniciado pelo governo brasileiro, ocorre em um momento de alta tensão após uma recente operação militar estrangeira na região, que impactou diretamente o governo venezuelano. Durante a chamada, ambos os líderes reforçaram o compromisso com a autodeterminação dos povos e a necessidade de buscar soluções que respeitem os limites territoriais e as decisões internas de cada país.

Presidente russo, Vladimir Putin, e presidente Lula em Moscou • 09/05/2025 REUTERS/Maxim Shemetov

Os chefes de Estado manifestaram profunda preocupação com o agravamento do cenário humanitário e político no país vizinho ao Brasil. Lula e Putin concordaram que a manutenção da paz na América do Sul e no Caribe é uma prioridade estratégica, defendendo que a região deve permanecer livre de conflitos bélicos internacionais. Para isso, os mandatários alinharam o discurso de que qualquer resolução para a crise atual deve priorizar o bem-estar da população civil e a estabilidade institucional, evitando medidas que possam escalar a violência local.

Como estratégia de atuação, os líderes decidiram coordenar esforços em fóruns multilaterais, com destaque para a atuação conjunta no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU). Além disso, planejam utilizar a força diplomática do bloco das economias emergentes, o BRICS, para promover um equilíbrio nas decisões de governança global. A intenção é que esses organismos sirvam como mediadores neutros, garantindo que as vozes do “Sul Global” tenham peso relevante na mediação de tensões que afetam a soberania regional.

Além da pauta venezuelana, o telefonema serviu para organizar os detalhes da próxima Reunião da Comissão Bilateral de Alto Nível entre as duas nações, agendada para o início de fevereiro em Brasília. O encontro, que contará com a presença de uma comitiva russa de alto escalão, visa destravar parcerias em setores fundamentais como produção agrícola, tecnologia de defesa e segurança energética. Segundo as notas oficiais dos dois governos, a intenção é dinamizar a troca comercial e técnica, aproveitando o momento de aproximação diplomática.

O movimento reflete a busca do Brasil por um papel de liderança mediadora em um cenário internacional cada vez mais polarizado. Ao manter canais abertos com diferentes potências globais, o país tenta consolidar uma postura de neutralidade ativa, focada em prevenir crises de abastecimento e garantir a segurança das fronteiras. O desenrolar dessa articulação será acompanhado de perto pela comunidade internacional, especialmente diante dos novos desafios geopolíticos que surgem neste início de 2026.

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