Expansão do rastreamento neonatal em São Paulo
A partir de 12 de outubro, o estado de São Paulo dará um passo significativo na saúde pública ao incluir a atrofia muscular espinhal (AME) no rol de doenças rastreadas pelo teste do pezinho no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida abrange todos os 645 municípios paulistas, atendendo recém-nascidos tanto em unidades públicas quanto privadas.
A implementação será conduzida inicialmente pelo Instituto Jô Clemente, com uma incorporação gradual nos Hospitais das Clínicas da Unicamp e de Ribeirão Preto. Para viabilizar a iniciativa, o governo estadual destinou um investimento anual de 20,8 milhões de reais em recursos próprios, fortalecendo o Programa de Triagem Neonatal Paulista.
Metodologia e fluxo de atendimento
O procedimento para a detecção da AME não exigirá novas coletas de sangue dos recém-nascidos. A análise será realizada com a mesma amostra obtida pelo teste do pezinho convencional, que deve ocorrer preferencialmente entre o terceiro e o quinto dia de vida, após 48 horas do nascimento.
Este método permite a identificação precoce de alterações genéticas antes que os sintomas clínicos se manifestem. Caso o exame aponte suspeita da condição, o paciente será imediatamente encaminhado a um Centro Especializado de Referência, onde passará por um teste confirmatório realizado por meio de coleta de material da mucosa oral.
Contexto da doença e panorama nacional
A AME é uma enfermidade neurodegenerativa rara, caracterizada pela perda progressiva de força e firmeza muscular, afetando membros e a coluna. A condição é hereditária, decorrente de uma alteração genética transmitida pelos pais, com uma probabilidade de 25% de acometimento para cada filho.
Dados do Cadastro Nacional da AME, mantido pelo iNAME (Instituto Nacional da Atrofia Muscular Espinhal), indicam que o Brasil possui mais de 2.100 pessoas diagnosticadas. São Paulo lidera o registro nacional com 582 pacientes, seguido por Minas Gerais, com 197. A gravidade da doença é classificada em tipos, variando conforme a idade de início dos sintomas e a progressão do comprometimento motor e respiratório.
Integração ao sistema público de saúde
Com esta atualização, o estado de São Paulo eleva para oito o número total de doenças monitoradas pelo teste do pezinho. A lista inclui agora fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, doença falciforme, outras hemoglobinopatias, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita, deficiência de biotinidase e a AME.
A iniciativa alinha o estado a outras unidades da federação, como Distrito Federal, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, que já realizam a investigação da patologia na rede pública. Para mais informações sobre o funcionamento do sistema, consulte o portal oficial da Secretaria Estadual da Saúde.