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ANTES DA GUERRA, FEIJÃO E LEITE JÁ SUBIAM E MARÇO SÓ PIOROU

ANTES DA GUERRA, FEIJÃO E LEITE JÁ SUBIAM E MARÇO SÓ PIOROU

O consumidor brasileiro enfrenta uma escalada de preços nos itens básicos da cesta básica que antecede o início dos conflitos no Leste Europeu. Dados de institutos de pesquisa econômica mostram que o feijão e o leite já registravam curvas de alta desde o primeiro bimestre de 2026, impulsionados por fatores climáticos e pelo custo de produção interna. Com a chegada de março, o cenário de inflação de alimentos se agravou, consolidando um primeiro trimestre de pressão severa sobre o orçamento das famílias de baixa renda, que destinam a maior parte de seus recursos à alimentação.

A subida do preço do feijão é atribuída, em grande parte, à quebra de safra nas principais regiões produtoras do país devido a instabilidades meteorológicas. O excesso de chuvas em algumas áreas e a seca prolongada em outras prejudicaram a qualidade do grão e reduziram a oferta disponível nos centros de distribuição. Esse desequilíbrio entre oferta e demanda já vinha sendo sentido nas gôndolas dos supermercados desde janeiro, forçando o consumidor a substituir variedades ou reduzir o volume de compra antes mesmo de qualquer impacto logístico internacional.

No caso do leite, o aumento é um reflexo direto da entressafra e da alta nos custos dos insumos para a pecuária leiteira. O preço do milho e do farelo de soja, utilizados na ração do gado, manteve patamares elevados nos últimos meses, comprimindo as margens de lucro dos produtores rurais. Muitos pecuaristas reduziram o investimento no rebanho, resultando em uma captação de leite menor pelas indústrias de laticínios. O repasse para o consumidor final tornou-se inevitável, fazendo com que o produto atingisse marcas históricas de preço para o período de verão.


Feijão com arroz: prato tradicional dos brasileiros — Foto: Canva/Creative Commoms

A entrada do mês de março trouxe componentes adicionais que intensificaram o que já era um cenário negativo. A instabilidade global afetou diretamente o preço dos combustíveis e dos fertilizantes, elevando o custo do frete rodoviário e das futuras safras. Como o Brasil depende do transporte por caminhões para abastecer os grandes centros urbanos, qualquer oscilação no preço do diesel é repassada rapidamente para o preço final dos alimentos perecíveis e grãos, criando um efeito cascata que atinge o feijão e o leite de forma imediata.

Economistas alertam que a inflação de alimentos em março possui um caráter de persistência que preocupa o Banco Central e os formuladores de políticas públicas. Diferente de aumentos sazonais que costumam reverter em poucos meses, a pressão atual combina problemas estruturais de produção com choques externos de custos. Isso significa que, mesmo com a entrada de novas colheitas, o patamar de preços pode não retornar aos níveis de 2025, estabelecendo um novo “piso” mais elevado para a cesta básica nacional e reduzindo o poder de compra real do salário mínimo.

O reflexo social dessa carestia é visível na mudança de hábitos de consumo e no aumento da insegurança alimentar. Com o feijão e o leite mais caros, as famílias buscam alternativas proteicas de menor valor, mas encontram dificuldades diante da alta generalizada de outros produtos, como ovos e frango. O cenário para o restante do primeiro semestre de 2026 permanece de cautela, dependendo da estabilização dos preços das commodities e de condições climáticas mais favoráveis que permitam a recuperação da oferta interna e o alívio nos preços de itens essenciais à mesa do brasileiro.

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