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Baleias-jubarte realizam o maior deslocamento migratório já registrado pela ciência

Baleias-jubarte realizam o maior deslocamento migratório já registrado pela ciência
1 de 1 Baleias-jubarte atravessam oceanos e passam pelo Brasil — Foto: Reprodução/TV Globo

Em um feito inédito que desafia o conhecimento prévio sobre a fauna marinha, pesquisadores documentaram o maior deslocamento já registrado para a espécie baleia-jubarte. Dois exemplares percorreram cerca de 15,2 mil quilômetros, atravessando oceanos distintos em uma jornada que conecta as águas do Brasil à costa da Austrália.

Jornada transoceânica entre Brasil e Austrália

O estudo, publicado em uma revista científica do Reino Unido, detalha a trajetória desses animais. Uma das baleias foi identificada inicialmente em 2013, na costa leste australiana, e reapareceu em 2019 nas águas de Ilhabela, no litoral de São Paulo. Outro indivíduo, registrado em 2003 no arquipélago de Abrolhos, na Bahia, foi avistado 22 anos depois em território australiano.

A pesquisadora equatoriana Cristina Ayala, líder da investigação, sugere que esse comportamento migratório atípico pode ser uma resposta direta às transformações globais. Segundo a especialista, a busca por novas áreas de alimentação e sobrevivência frente aos impactos climáticos tem levado os cetáceos a expandirem seus limites geográficos habituais.

Metodologia de identificação e monitoramento

A confirmação desses percursos foi possível devido a uma rede global de monitoramento. Assim como as impressões digitais humanas, a parte inferior da cauda das jubartes apresenta padrões, cores e marcas únicas, que funcionam como uma identidade visual para cada animal.

O sistema Happywhale, criado pelo pesquisador Ted Cheeseman, centraliza fotografias enviadas por cientistas e pelo público em geral. Um algoritmo avançado processa essas imagens, permitindo o cruzamento de dados e a identificação de indivíduos em diferentes pontos do planeta, facilitando o rastreio de longo prazo.

O papel da observação em alto-mar

O trabalho de campo continua sendo um pilar fundamental para a ciência. O pesquisador Júlio Cardoso, responsável pelo registro da baleia em São Paulo, destaca que a tarefa exige dedicação extrema. A captura dessas imagens depende de uma combinação de preparo técnico, vigilância constante e, conforme ressalta o especialista, uma dose significativa de sorte durante as expedições oceânicas.

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