O Distrito Federal vive um momento de alerta diante das mudanças climáticas, que impactam diretamente o planejamento da mobilidade urbana. Com um aumento de 1,85 °C na temperatura média nos últimos 60 anos, e uma projeção de elevação de 6 °C até 2070, a capital federal enfrenta o desafio de adaptar uma infraestrutura historicamente desenhada para o transporte individual motorizado.
Os dados, fornecidos pelo Laboratório de Sustentabilidade Aplicada à Arquitetura e ao Urbanismo (LaSUS) da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (FAU/UnB), reforçam a necessidade urgente de uma revisão nas políticas de deslocamento. Especialistas alertam que a mobilidade deixou de ser apenas uma questão de transporte para se tornar um problema climático central.
A fragilidade da infraestrutura frente aos eventos extremos
O professor de engenharia do UniCeub, Rideci Farias, aponta que eventos meteorológicos extremos expõem fragilidades antigas e impõem novos desafios. Segundo o especialista, o planejamento urbano precisa considerar que fenômenos que deveriam ocorrer a cada 100 anos estão se tornando frequentes, exigindo resiliência nas vias e sistemas de transporte.
O gerente de projetos do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP), Iuri Moura, destaca que a priorização do transporte individual na segunda metade do século 20 foi um fator determinante para a crise atual. Para reverter esse cenário, a estratégia passa por incentivar a integração modal, utilizando a bicicleta e o transporte coletivo como eixos de uma cidade mais eficiente.
Estratégias para uma cidade compacta e sustentável
Para mitigar os efeitos do clima, o planejamento urbano aponta para o conceito de cidade compacta e policêntrica. A ideia é aproximar moradia, emprego e serviços, reduzindo a necessidade de longos deslocamentos diários. Essa abordagem, defendida pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação, visa intensificar a ocupação em áreas que já possuem infraestrutura consolidada.
A professora da UnB, Liza Andrade, sugere a incorporação de soluções baseadas na natureza para o desenho das vias. O uso de ruas arborizadas, jardins de chuva e corredores ecológicos auxilia na infiltração de água e no controle térmico, prevenindo o extravasamento de córregos e alagamentos durante períodos de chuvas intensas.
O papel do poder público na transição da mobilidade
A Secretaria de Mobilidade (Semob) informou que o governo prioriza o transporte público, buscando atrair novos usuários por meio de melhorias na qualidade do serviço. O objetivo é integrar modais de média e alta capacidade, como metrôs, trens urbanos e VLT, permitindo que o cidadão acesse toda a cidade sem a dependência do veículo particular.
A transição para um modelo mais sustentável exige, portanto, uma combinação de investimentos em infraestrutura verde, modernização da rede de transporte coletivo e uma mudança no padrão de ocupação do solo. Mais informações sobre o planejamento urbano podem ser acompanhadas pelo portal oficial do Governo do Distrito Federal.