Em um movimento que elevou a tensão entre Brasília e a administração de Donald Trump ao nível máximo, o governo brasileiro anunciou nesta sexta-feira, 13 de março de 2026, o cancelamento do visto de entrada de Darren Beattie, assessor sênior do governo dos EUA para políticas relacionadas ao Brasil. A decisão foi tomada após o Ministério das Relações Exteriores identificar que a motivação real da viagem, embora classificada como “oficial”, era a realização de uma visita política ao ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão.

O cancelamento ocorreu poucas horas após a defesa de Bolsonaro protocolar no STF um pedido de autorização excepcional para que Beattie visitasse o ex-mandatário no 19º Batalhão da Polícia Militar, fora dos dias regulamentares.
Os Argumentos do Governo Brasileiro
O Ministério das Relações Exteriores e a Polícia Federal fundamentaram a medida com base em normas de soberania e reciprocidade:
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Desvio de Finalidade: O Itamaraty argumentou que Beattie solicitou entrada para “agendas governamentais de cooperação”, mas o foco público e jurídico de sua vinda era intervir em uma questão penal interna do Brasil.
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Segurança Nacional: Relatórios de inteligência apontaram que a visita tinha o potencial de incitar movimentos de instabilidade, dado o histórico de críticas severas de Beattie às instituições judiciárias brasileiras.
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Persona Non Grata: Embora o termo não tenha sido usado formalmente no comunicado, a suspensão do visto na véspera do desembarque é o sinal diplomático mais forte de que o governo brasileiro não aceitará o que considera “ingerência externa” em processos criminais locais.
A Reação de Washington e da Família Bolsonaro
A resposta da Casa Branca foi imediata e agressiva. O Secretário de Estado, Marco Rubio, classificou a medida como um “ato de hostilidade” e uma “tentativa de silenciar aliados internacionais”.
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Eduardo Bolsonaro: O deputado federal, que articulou a vinda do assessor, afirmou que o Brasil está se transformando em uma “ditadura isolada” e que o cancelamento do visto terá “consequências severas” nas relações comerciais e diplomáticas com os EUA.
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Reciprocidade: No Capitólio, congressistas republicanos já começaram a protocolar pedidos para que o Departamento de Estado americano revise os vistos de autoridades do Judiciário brasileiro, incluindo ministros do STF.
O Impasse Jurídico no STF
Com o visto cancelado, o pedido de visita protocolado pela defesa no Supremo perde o objeto prático. O ministro Alexandre de Moraes, que ainda não havia proferido decisão, deve agora apenas extinguir o processo. No entanto, o episódio serviu para unificar a narrativa da oposição de que Bolsonaro é um “preso político” impedido de contato com líderes mundiais.
A crise ocorre em um momento delicado, já que o Brasil negocia a manutenção de acordos comerciais importantes com os Estados Unidos. O cancelamento do visto de Beattie é visto por analistas como uma “vitória de Pirro”: o governo reafirma sua soberania no curto prazo, mas arrisca sanções ou retaliações diplomáticas de uma administração americana que já se mostrava cética em relação ao governo brasileiro.