Ex governador recorrerá ao Tribunal Superior Eleitoral e legislação permite a continuidade dos atos de campanha enquanto o registro estiver sob análise da Justiça
José Roberto Arruda sofreu uma derrota no Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal, mas ainda não está obrigado a deixar as ruas ou interromper sua campanha ao Governo do Distrito Federal. Mesmo com o registro de candidatura indeferido, a legislação eleitoral permite que ele continue participando da disputa enquanto busca reverter a decisão nas instâncias superiores.
O TRE do Distrito Federal rejeitou por unanimidade o registro apresentado pelo ex governador. O entendimento dos magistrados foi de que Arruda permanece inelegível em razão de condenações por improbidade administrativa confirmadas em segunda instância.
A decisão produz um cenário que pode causar dúvidas entre os eleitores. Na prática, Arruda teve o registro negado pela Corte regional, mas como pretende recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral, poderá continuar praticando atos relacionados à campanha enquanto aguarda uma definição sobre sua situação jurídica.
A legislação assegura essa possibilidade aos candidatos que disputam judicialmente o direito de concorrer. Dessa forma, Arruda pode continuar participando de compromissos eleitorais e utilizar o horário gratuito destinado à propaganda no rádio e na televisão.
A situação também poderá chegar às urnas. Caso não exista uma decisão definitiva antes da votação, o nome de Arruda poderá permanecer disponível ao eleitor. Nesse cenário, porém, os votos eventualmente recebidos ficarão condicionados ao resultado do julgamento de seu registro pela instância superior.
O ponto central da discussão jurídica está na duração da inelegibilidade. Durante o julgamento, prevaleceu no TRE o entendimento de que a contagem deve considerar as condenações colegiadas sofridas pelo ex governador, mantendo a restrição eleitoral neste momento.
Arruda contesta essa interpretação. Ele argumenta que alterações promovidas pela Lei Complementar nº 219, de 2025, modificaram sua situação e afirma que a legislação atualmente em vigor permite sua participação na eleição.
Após o julgamento, o ex governador declarou ter recebido a decisão com serenidade, mas deixou claro que pretende buscar sua reversão. Arruda sustenta que o entendimento adotado pelo tribunal regional não corresponde à interpretação que faz da nova legislação e demonstrou confiança em uma decisão favorável no Tribunal Superior Eleitoral.
Com isso, a candidatura entra em uma fase decisiva. Politicamente, Arruda permanece em campanha e poderá continuar buscando votos. Juridicamente, entretanto, sua permanência definitiva na corrida pelo Palácio do Buriti dependerá do resultado dos recursos apresentados à Justiça Eleitoral.
A indefinição acrescenta um componente importante à disputa pelo Governo do Distrito Federal. Enquanto Arruda mantém sua movimentação eleitoral, caberá às instâncias superiores determinar se os efeitos dessa campanha poderão, ao final, ser convertidos em votos válidos na eleição.