Canetas para obesidade entrarão no SUS com acesso definido por critérios médicos
Tratamento gratuito anunciado pelo governo será direcionado a pacientes que apresentem indicação clínica e terá regras estabelecidas pelo Ministério da Saúde
Pacientes com obesidade que apresentem indicação médica poderão receber gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras. A medida foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta feira (17), durante agenda em Montes Claros, Minas Gerais.
A proposta, segundo o governo, não prevê distribuição generalizada. O Ministério da Saúde prepara um protocolo para determinar quais pacientes poderão utilizar os medicamentos, levando em consideração o grau de obesidade, a existência de doenças associadas e outras condições clínicas.
Uma experiência já está sendo realizada com aproximadamente 250 pacientes no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre. O grupo reúne principalmente pessoas com obesidade grave, doenças relacionadas ao excesso de peso ou indicação para cirurgia bariátrica.
Os resultados deverão servir de base para a elaboração das regras que serão adotadas na rede pública.
Lula defende acompanhamento médico
Durante o anúncio, Lula ressaltou que o tratamento deverá ocorrer sob orientação de profissionais de saúde e criticou a utilização das canetas sem avaliação adequada.
“Essa canetinha vai ser utilizada para cuidar de graça das pessoas que tenham obesidade, quando o médico detectar que um homem ou uma mulher tem problema de saúde”, afirmou.
O presidente também alertou para os riscos da banalização desse tipo de medicamento e defendeu que cada paciente seja avaliado individualmente antes de iniciar o tratamento.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o objetivo é transformar o acesso aos medicamentos em uma opção disponível pelo SUS para os pacientes que preencham os requisitos estabelecidos no protocolo.
Governo aposta na redução dos custos
A ampliação da concorrência e da produção nacional também faz parte da estratégia para viabilizar o tratamento. Segundo informações apresentadas pelo governo, medicamentos que anteriormente ultrapassavam R$ 1 mil passaram a ser encontrados no mercado por valores entre R$ 300 e R$ 400.
Novos produtos à base de semaglutida e liraglutida receberam registro no país em 2026, aumentando as alternativas disponíveis para tratamentos relacionados ao diabetes e à obesidade.
A iniciativa ocorre em um cenário de crescimento da obesidade no Brasil. Dados do Vigitel citados pelo governo mostram que, entre adultos das capitais e do Distrito Federal, a proporção de pessoas com obesidade passou de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024.
A oferta gratuita das canetas, entretanto, ainda dependerá da definição final do protocolo do Ministério da Saúde. Os critérios deverão estabelecer quais grupos terão prioridade e de que forma será realizado o acompanhamento dos pacientes atendidos pelo SUS.