A trajetória meteórica do Grupo Fictor, que saltou do anonimato para uma oferta bilionária pelo Banco Master, atingiu seu ponto mais crítico nesta quarta-feira (25/03/2026). Rafael de Gois, sócio-fundador e CEO da holding, tornou-se alvo central da Operação Fallax, deflagrada pela Polícia Federal para desarticular um esquema de fraudes bancárias estimadas em R$ 500 milhões contra a Caixa Econômica Federal. A ação ocorre no momento em que os laços entre a Fictor e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso no Caso Master, tornam-se o foco principal de investigadores e da CPI dos Crimes Financeiros.
O nome de Rafael de Gois ganhou projeção nacional em novembro de 2025, quando a Fictor anunciou uma proposta de R$ 3 bilhões para adquirir o controle do Banco Master. O anúncio ocorreu exatamente na véspera da liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central e da prisão de Vorcaro. Para a Polícia Federal e o Ministério Público, o “lance bilionário” nunca teve lastro financeiro real, funcionando como uma manobra de distração ou “cortina de fumaça” para tentar evitar a intervenção do regulador e mascarar o rombo de mais de R$ 50 bilhões apurado no Master.
Investigações recentes revelaram que, pouco antes da oferta pública, a Fictor celebrou contratos de R$ 500 milhões com empresas de Daniel Vorcaro sediadas em paraísos fiscais. O fluxo financeiro entre o grupo e o banqueiro levanta suspeitas de que a Fictor atuaria como um braço operacional para lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. A Operação Fallax agora busca confirmar se o modelo de Sociedade em Conta de Participação (SCP) utilizado pela Fictor que captou bilhões de investidores sem fiscalização da CVM servia para irrigar o caixa do Master em momentos de crise de liquidez.

A situação do grupo agravou-se em fevereiro de 2026, quando a Fictor Holding e a Fictor Invest protocolaram pedido de recuperação judicial, declarando dívidas de R$ 4,2 bilhões. No documento enviado à Justiça, a empresa atribuiu sua insolvência ao “pânico generalizado” gerado pela associação de sua imagem ao escândalo do Banco Master. No entanto, depoimentos de ex-colaboradores e áudios obtidos pela perícia indicam que a crise de liquidez já existia e que o grupo utilizava novas captações para pagar resgates de investidores antigos, configurando um possível esquema de pirâmide financeira sob a roupagem de investimentos estruturados.
Com a deflagração da operação de hoje, a Justiça Federal determinou o bloqueio de R$ 47 milhões em bens de Rafael de Gois e a apreensão de seus dispositivos eletrônicos. A Polícia Federal também investiga uma suposta conexão entre o grupo e facções criminosas para a lavagem de ativos por meio de empresas de fachada nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. O cruzamento de dados de inteligência sugere que gerentes bancários eram cooptados para inserir dados falsos nos sistemas e facilitar a circulação de recursos ilícitos que, posteriormente, eram convertidos em criptoativos e bens de luxo.
O desfecho da Operação Fallax coloca Rafael de Gois em uma posição de vulnerabilidade jurídica extrema, enfrentando acusações que, somadas, podem ultrapassar 50 anos de reclusão. Enquanto Daniel Vorcaro inicia negociações para uma delação premiada, o mercado financeiro aguarda para saber se o CEO da Fictor também optará por colaborar com a Justiça, revelando os detalhes de como o grupo se tornou o principal personagem na tentativa de salvar o império de Vorcaro. O episódio encerra um ciclo de ostentação e lances audaciosos, deixando milhares de investidores no prejuízo e uma das maiores teias de corrupção financeira do país exposta.