A preparação para o Círio de Nazaré 2026 atingiu um estágio decisivo neste sábado (26). A corda, um dos maiores símbolos de fé da festividade, passou por uma vistoria técnica detalhada em Belém, restando apenas duas semanas para o início das romarias oficiais. O equipamento, que percorre as ruas da capital paraense, é o elemento central que conecta os fiéis à berlinda durante os cortejos.
O Círio de Nazaré, reconhecido como a maior procissão mariana do mundo em um único dia, está programado para ocorrer nos dias 10 e 11 de outubro. A estrutura, que possui 800 metros de extensão, é fundamental para a realização da Trasladação e da grande procissão de domingo.
Detalhes técnicos e checagem de segurança
As equipes da Diretoria da Festa de Nazaré e da Guarda de Nazaré realizaram uma inspeção minuciosa em toda a extensão do material. O procedimento incluiu a verificação rigorosa de argolas, nós e a integridade das estações de metal, que desempenham um papel crucial na sustentação e no deslocamento da berlinda durante o trajeto.
Além da segurança, os responsáveis realizaram uma nova medição da corda. O material é dividido em duas partes iguais, garantindo que a metragem total de 800 metros esteja distribuída corretamente para atender às necessidades específicas de cada um dos dois cortejos principais.
Tradição e fabricação local
Desde 2023, a produção da corda é realizada inteiramente no estado do Pará. Esta mudança reforça a identidade regional do objeto, que se tornou um ícone da festividade. Para os devotos, o item representa a união e a devoção popular, sendo disputado por milhares de fiéis que buscam acompanhar a imagem peregrina.
Para quem deseja ver o objeto de perto, a corda da Trasladação ficará em exposição na Estação Luciano Brambilla, localizada na Estação das Docas, até o dia 10 de outubro. Mais informações sobre a programação completa podem ser consultadas no portal oficial do Círio de Nazaré.
Origem histórica do símbolo
A presença da corda na procissão remonta a 1855, quando uma enchente na Baía do Guajará dificultou o trajeto da berlinda. Na ocasião, a lama impediu que os animais puxassem o carro, levando um comerciante a oferecer uma corda para que os fiéis assumissem a tarefa. A oficialização do uso do objeto ocorreu apenas em 1885, substituindo definitivamente a tração animal.
A história do símbolo também registra momentos de interrupção, como em 1926, quando a corda foi suprimida da procissão por cinco anos. O retorno definitivo ocorreu em 1931, consolidando o objeto como um elemento indispensável da identidade cultural e religiosa do povo paraense.