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Credores da Raízen Barram Proposta de Divisão do Negócio

Credores da Raízen Barram Proposta de Divisão do Negócio

O plano de reorganização estratégica da Raízen, uma das maiores empresas de energia do Brasil, encontrou um obstáculo significativo nesta sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026. De acordo com fontes próximas às negociações, os principais bancos credores estão resistindo fortemente à proposta de dividir a companhia em duas frentes distintas. A ideia de cisão teria partido do BTG Pactual, que atua como gestor de um fundo que ingressou no bloco de controle da Cosan (sócia da Raízen ao lado da Shell) em 2025.

A proposta sugeria a separação dos ativos de Bioenergia (produção de açúcar e etanol) dos ativos de Mobilidade (rede de postos Shell e distribuição de combustíveis). O objetivo do BTG seria destravar valor para os acionistas, permitindo que cada unidade de negócio fosse avaliada de forma independente pelo mercado. No entanto, instituições financeiras com exposição à dívida da companhia temem que a divisão fragilize as garantias dos empréstimos e pulverize o fluxo de caixa que hoje sustenta o grau de investimento da gigante energética.

Os Motivos do Impasse

A resistência dos credores baseia-se em preocupações sobre a sustentabilidade financeira das “novas” empresas:

  • Garantias Cruzadas: Atualmente, a força do setor de distribuição de combustíveis compensa a volatilidade e a sazonalidade da produção agrícola.

  • Custo da Dívida: Credores argumentam que a separação poderia levar a um rebaixamento das notas de crédito (ratings), elevando os juros para ambas as operações.

  • Complexidade Operacional: A Raízen opera de forma integrada; separar a logística e a infraestrutura compartilhada exigiria um processo jurídico e operacional caro e demorado.

A Cosan, sob o comando de Rubens Ometto, tem buscado formas de reduzir sua alavancagem financeira, e a entrada do fundo gerido pelo BTG Pactual no ano passado foi vista como um movimento para oxigenar a estratégia do grupo. Contudo, a Shell, parceira estratégica na joint venture, mantém uma postura cautelosa. Para a multinacional anglo-holandesa, a integração entre a produção de biocombustíveis e a rede de varejo é fundamental para suas metas globais de transição energética, o que torna a proposta de cisão um tema sensível também entre os sócios.

Analistas de mercado apontam que a resistência dos bancos  entre eles os maiores players do setor privado nacional —sinaliza que qualquer mudança estrutural na Raízen precisará ser acompanhada de um plano robusto de reforço de capital ou da manutenção de garantias sólidas por parte da holding. Sem o “de acordo” dos credores, o plano de divisão corre o risco de ser engavetado, forçando o BTG e a Cosan a buscarem outras alternativas, como a venda de ativos não estratégicos ou uma nova capitalização via mercado de ações.

O desfecho dessa queda de braço deve ditar o ritmo das ações da Raízen e da Cosan na bolsa de valores (B3) nas próximas semanas. Caso a pressão dos acionistas controladores continue, os bancos podem exigir contrapartidas, como a antecipação do pagamento de parcelas da dívida ou o aumento das taxas de juros. No momento, a prioridade da diretoria da Raízen é manter a estabilidade operacional enquanto tenta pacificar os interesses conflitantes entre quem emprestou o dinheiro e quem deseja acelerar o retorno sobre o capital investido.

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