O presidente da FIFA, Gianni Infantino, enfrenta uma crise de governança sem precedentes em sua gestão. Documentos fiscais enviados à receita federal dos Estados Unidos (IRS) revelaram que o mandatário recebeu um pagamento não declarado de £1,3 milhão de libras (cerca de US$ 1,76 milhão de dólares) em 2024.
Violação dos Estatutos de Transparência
A descoberta gera forte repercussão devido ao histórico recente da entidade. Desde 2016, após as reformas administrativas decorrentes de escândalos anteriores de corrupção, a FIFA assumiu o compromisso público e estatutário de divulgar de forma detalhada o salário anual, os bônus e as indenizações de seu presidente em seu balanço financeiro global.
O relatório oficial da FIFA de 2024 registrou o vencimento de Infantino em 4,27 milhões de francos suíços (aproximadamente £3,88 milhões de libras). No entanto, a remuneração adicional obtida por meio da empresa subsidiária norte-americana foi omitida do documento principal, gerando acusações de quebra do Artigo 43, parágrafo 13 dos estatutos da FIFA, que exige total publicidade sobre compensações individuais da alta cúpula.
Resposta Oficial da Entidade
Em pronunciamento emitido por seus porta-vozes, a FIFA contestou formalmente as irregularidades:
- A instituição afirma cumprir todas as obrigações regulatórias e fiscais exigidas na Suíça e nos Estados Unidos.
- Declarou que os valores recebidos por meio da subsidiária correspondem a encargos sociais, fundos de pensão e benefícios contratuais validados pelo comitê independente de compensações, e não a um “segundo salário”.
- Ressaltou que os registros financeiros passaram por auditorias externas independentes.
Questionamentos do Conselho e Isolamento Político
A justificativa apresentada não arrefeceu os ânimos de federações opositoras. Membros do Conselho da FIFA agendaram uma sabatina formal com Infantino para exigir explicações detalhadas sobre os motivos pelos quais ele foi o único dirigente da alta cúpula a receber aportes da FWC2026. Registros apontam que o secretário-geral Mattias Grafstrom e o presidente da CONCACAF, Victor Montagliani, não auferiram ganhos extras da respectiva subsidiária.
A pressão política ocorre em um momento em que Infantino já se encontrava desgastado perante a UEFA e entidades parceiras na Ásia e América do Norte, em virtude de propostas unilaterais anteriores para a venda de cotas comerciais de torneios a grupos privados de investimento. Apesar dos pedidos contínuos de renúncia por parte de federações europeias, o dirigente mantém o apoio majoritário de blocos da África e da América do Sul para o pleito eleitoral programado para março do próximo ano.