PUBLICIDADE

Do Milagre ao Caos: Leicester City Entra em Crise na Terceira Divisão e Donos Colocam Clube à Venda por £ 200 Milhões

Exatamente uma década após chocar o planeta ao conquistar o título mais improvável da história da Premier League, o Leicester City vive o capítulo mais sombrio de sua história moderna. O clube, que sofreu um colapso administrativo sem precedentes e foi rebaixado para a League One (a Terceira Divisão Inglesa), agora enfrenta uma grave crise técnica em campo e está oficialmente à procura de um novo comprador.

O grupo tailandês King Power, que comanda os Foxes há 16 anos, decidiu encerrar seu ciclo e colocou a instituição à venda por um preço inicial superior a £ 200 milhões (cerca de R$ 1,4 bilhão). A decisão ocorre em meio à forte pressão dos torcedores e ao desgaste financeiro da própria empresa controladora.

Início desastroso na Série C acende o sinal de alerta

Se a torcida esperava um retorno rápido à elite, o início da campanha na League One sob o comando do técnico Russell Martin trouxe um choque de realidade. Em cinco jogos disputados na atual temporada, o Leicester City conseguiu apenas uma vitória.

O ponto mais baixo dessa arrancada ocorreu no último fim de semana, quando a equipe foi goleada por 4 a 0, em pleno King Power Stadium, diante do Oxford United. Apesar de reter 63% da posse de bola, o time demonstrou total inoperância ofensiva e fragilidade defensiva, gerando protestos acalorados nas arquibancadas.

O Paradoxo: Estrutura de elite, futebol de terceira

O momento atual do Leicester expõe um forte contraste entre a estrutura física e a realidade desportiva. O pacote de venda enviado a potenciais investidores internacionais inclui ativos de altíssimo nível:
    • O Seagrave Training Complex, um centro de treinamento moderno inaugurado em 2020 e avaliado em £ 121 milhões, considerado um dos melhores do mundo.
    • O King Power Stadium, com capacidade para 32 mil espectadores.
    • O elenco principal masculino, a equipe feminina e o clube satélite OH Leuven, da Bélgica.

O cenário apresenta um paradoxo bizarro: jogadores que atuam no terceiro escalão do futebol inglês usufruem de uma infraestrutura digna de finalistas da Champions League.

Da má gestão ao “Projeto Lineup”

O declínio do clube não ocorreu por acaso. Entre auditorias, trocas constantes de treinadores e punições por violações das regras de Sustentabilidade Financeira (PSR), o Leicester acumulou prejuízos superiores a £ 180 milhões nos últimos anos.
Agora, a Citigroup lidera o processo de venda batizado de “Project Lineup”. O folheto distribuído a investidores tenta atrair compradores destacando a força das categorias de base — evidenciada pelas vendas recentes de jovens talentos como Jeremy Monga ao Manchester City — e o fato de o Leicester ser uma das poucas equipes que conquistou todos os grandes troféus da Inglaterra neste século.

A lição da história: a tradição não entra em campo

A derrocada dos Foxes serve como um aviso cruel para o futebol mundial: camisas pesadas e glórias passadas não garantem permanência sem responsabilidade administrativa. No Brasil, episódios parecidos marcaram as histórias de Fluminense (em 1999)  e Bahia (entre 2006 e 2007), que precisaram reconstruir suas bases na Série C.
Por outro lado, o próprio futebol inglês traz exemplos de superação. Gigantes como o Manchester City já amargaram a terceira divisão antes de serem comprados e reestruturados para dominar o cenário global.
O Leicester City corre agora contra o relógio em duas frentes: precisa encontrar um comprador capaz de estancar a sangria financeira e, urgentemente, fazer o time reagir no gramado antes que o sonho de voltar ao topo se transforme em um pesadelo permanente na League One.

Veja também