O Governo Federal e o Ministério das Relações Exteriores demonstram forte resistência à recente iniciativa de Donald Trump para a criação de um “Conselho da Paz” internacional. A proposta, apresentada pela Casa Branca como uma nova plataforma para gerenciar crises mundiais e a reconstrução de zonas de conflito, é vista com desconfiança por assessores diretos do Palácio do Planalto. A principal crítica reside no desenho institucional do órgão, que centralizaria decisões cruciais nas mãos da presidência americana, reduzindo a autonomia dos demais países participantes em questões de segurança global.

Para a diplomacia brasileira, a criação desse fórum representa uma tentativa de esvaziar o papel do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Fontes diplomáticas avaliam que o projeto de Washington cria uma hierarquia paralela que ignora o multilateralismo tradicional, onde o Brasil busca há décadas um assento permanente. A percepção em Brasília é de que o novo conselho não funcionaria como um espaço de diálogo equilibrado, mas como uma ferramenta de projeção de poder unilateral dos Estados Unidos sobre temas sensíveis.
Além das questões de soberania, o governo brasileiro vê com preocupação os termos financeiros e políticos impostos para a adesão ao grupo. Relatórios preliminares indicam exigências de altas contribuições financeiras para as nações participantes, além da obrigação de aceitar diretrizes pré-estabelecidas para a governança de territórios em disputa. O Planalto considera que condicionar a paz a investimentos bilionários e ao alinhamento automático com as políticas externas americanas fere os princípios de autodeterminação dos povos que o país defende historicamente.
A postura de cautela do Brasil também reflete o desejo de evitar um desgaste precoce na relação bilateral com a nova administração americana em 2026. Embora o convite oficial já tenha sido enviado, o governo brasileiro optou por não emitir uma resposta imediata, mantendo a proposta sob análise técnica rigorosa. Essa estratégia de silêncio diplomático permite ao Brasil observar a movimentação de outros blocos econômicos e parceiros estratégicos, como os países que compõem os BRICS, antes de assumir um posicionamento definitivo que possa comprometer sua neutralidade.
Atualmente, o foco do Brasil permanece na defesa de soluções diplomáticas que passem pelas vias oficiais da ONU e pelo reconhecimento de acordos internacionais já assinados. O governo brasileiro reitera que qualquer esforço de pacificação global deve priorizar o fim das hostilidades e a ajuda humanitária sem a imposição de modelos de gestão estrangeiros. Dessa forma, o país sinaliza que dificilmente integrará um conselho que não ofereça garantias de equidade e que ameace a relevância das instituições internacionais de mediação já estabelecidas.