Grupo acumula R$ 17,3 bilhões em dívidas enquanto varejo enfrenta juros elevados, famílias endividadas e redução do espaço para compras de maior valor
A Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial nesta segunda feira, 17 de agosto, em São Paulo. Com dívidas estimadas em R$ 17,3 bilhões, o grupo busca reorganizar suas contas e manter as operações durante o processo de reestruturação.
O caso reforça o momento de dificuldade enfrentado por grandes empresas do comércio brasileiro. A Marabraz, do segmento de móveis e eletrodomésticos, também recorreu à Justiça diante de aproximadamente R$ 140 milhões em dívidas.
Entre os fatores que pressionam o setor está o endividamento das famílias, que chegou a 82% em julho. Com parte significativa da renda destinada ao pagamento de compromissos financeiros, consumidores tendem a reduzir gastos com móveis, eletrodomésticos e eletrônicos.
Os juros também pesam. A taxa básica permanece em 14% ao ano, encarecendo empréstimos, financiamentos e compras parceladas, justamente uma das principais formas de venda utilizadas pelas grandes redes.
Além disso, o crescimento das compras pela internet ampliou a concorrência e aumentou a disputa por preços, condições de pagamento e rapidez nas entregas.
Embora o varejo tenha registrado crescimento de 0,5% em junho e acumule avanço de 1,8% no ano, o ritmo ainda é considerado moderado diante das dificuldades financeiras enfrentadas por consumidores e empresas.
A recuperação judicial da Casas Bahia passa agora a ser mais um sinal da pressão sobre um dos setores mais dependentes da renda e da disponibilidade de crédito no país.