Esqueça a sutileza do terror psicológico ou as metáforas sociais comedidas. “Eles Vão Te Matar”, o novo longa do diretor russo Kirill Sokolov, é uma descarga de adrenalina que mistura o humor ácido de Casamento Sangrento com a coreografia de violência de Kill Bill.
Produzido por Andy e Barbara Muschietti (mentores da franquia IT), o filme não pede licença, ele chuta a porta e entrega um espetáculo de gore e sátira social.
A história acompanha Asia Reaves (Zazie Beetz), uma ex-detenta tentando reconstruir a vida que aceita um emprego de governanta no The Virgil, um dos edifícios mais exclusivos e misteriosos de Nova York, o que parece ser a oportunidade de ouro para uma recomeçar revela-se uma armadilha arquitetônica.

O Virgil não é apenas um condomínio de luxo; é um templo para um culto satânico formado pela elite da cidade, os moradores, liderados pela sinistra síndica Lilith (Patricia Arquette), trocaram sua moralidade pela imortalidade, e Asia foi escolhida como o sacrifício da vez, o problema para os vilões? Eles escolheram a pessoa errada para caçar.
Sokolov utiliza a geografia vertical do prédio para criar um videogame cinematográfico, cada andar que Asia percorre apresenta um novo perigo, uma nova estética e uma nova dose de bizarrice, desde orgias intermináveis até inquilinos imortais que se regeneram como criaturas de Resident Evil.

A direção é frenética, abusando de cores saturadas e uma montagem que remete aos melhores momentos de Quentin Tarantino e Sam Raimi, a violência é cartunesca, o que ajuda a aliviar a tensão com risadas nervosas, consolidando o filme no gênero “terrir” (terror com comédia).
Zazie Beetz se destaca com uma performance física exaustiva, ela entrega uma protagonista que transita entre o desespero de uma sobrevivente e a fúria de uma guerreira, Patricia Arquette entrega uma vilania polida e assustadora, o elenco ainda conta com Tom Felton e Heather Graham, que conferem um ar de “filme B de luxo” à produção.

Eles Vão Te Matar triunfa como entretenimento puro, é um filme feito para ser assistido em uma sala de cinema cheia, onde os gritos e as risadas se confundem.
Nota 5/5