Empresária do DF relata boicote a restaurante após declarar apoio a Lula
Proprietária de estabelecimento próximo ao Paranoá afirma ter recebido críticas e ameaças de perda de clientes após manifestação política em rede social pessoal
Uma empresária que administra um restaurante na região do Paranoá, no Distrito Federal, relatou ter sido alvo de uma campanha de boicote após declarar apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante as eleições de 2026. A manifestação ocorreu em seu perfil pessoal nas redes sociais, mas acabou sendo compartilhada em grupos de mensagens.
A comerciante, que mantém o estabelecimento desde 2017, preferiu não divulgar sua identidade por receio de novas retaliações. Segundo ela, a situação começou a ganhar repercussão às vésperas do segundo turno presidencial.
No sábado (24), a empresária percebeu uma redução no movimento do restaurante. No mesmo dia, recebeu uma mensagem de um cliente alertando que comerciantes da região estariam incentivando outras pessoas a deixar de frequentar o local por causa de seu posicionamento político.
Entre as manifestações recebidas estavam críticas à sua preferência eleitoral e comentários defendendo que o estabelecimento deixasse de receber clientes.
“Se depender de mim, seu comércio fecha”, escreveu uma pessoa em mensagem direcionada à empresária.
Apesar das manifestações contrárias, a proprietária também recebeu mensagens de solidariedade de consumidores que elogiaram a qualidade da comida, os preços e o atendimento oferecido pelo restaurante.
No domingo (25), dia da votação, o movimento voltou a ficar próximo do habitual, embora os comentários relacionados ao posicionamento político tenham continuado.
A empresária afirmou acreditar que a situação seja passageira e demonstrou confiança na continuidade das atividades comerciais.
Denúncias de assédio eleitoral
O episódio ocorre em um contexto de denúncias de possíveis práticas de assédio e discriminação relacionadas às eleições.
Segundo os dados apresentados na reportagem original, o Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 115 denúncias de assédio eleitoral em 2026.
O órgão atua na apuração de situações que envolvem pressão, ameaças ou discriminação no ambiente de trabalho em razão de preferências políticas.
No caso da empresária do Paranoá, o relato apresentado não informa a existência de investigação formal sobre as mensagens recebidas.
A situação evidencia como divergências políticas podem ultrapassar o debate eleitoral e atingir relações comerciais e pessoais, especialmente em comunidades onde empresários e consumidores mantêm contato direto.