A tensão diplomática entre a Europa e o Irã atingiu um novo patamar nesta terça-feira, 13 de janeiro de 2026. Diversas nações, incluindo Reino Unido, Alemanha, França, Holanda e Espanha, convocaram oficialmente os embaixadores iranianos em suas capitais para protestar contra a violenta resposta estatal aos recentes levantes populares. O governo britânico classificou os acontecimentos como uma “matança horrenda”, enquanto a União Europeia já sinaliza a implementação imediata de sanções econômicas mais rigorosas contra as lideranças envolvidas no controle das manifestações.

O movimento diplomático ocorre em meio a relatos alarmantes sobre o número de vítimas. Embora os dados oficiais sejam escassos devido ao bloqueio severo da internet no país, grupos internacionais de direitos humanos, como a HRANA e o Observatório de Direitos Humanos, estimam que o saldo de mortos já superou a marca de 2.000 pessoas desde o final de dezembro de 2025. O cenário é descrito por testemunhas como o maior desafio à estabilidade do regime iraniano em décadas, superando em letalidade crises sociais ocorridas em anos anteriores.
A origem da atual onda de indignação popular está ligada ao colapso econômico e à inflação galopante que atinge o país. O que começou como protestos localizados em mercados de Teerã contra a desvalorização da moeda rapidamente se transformou em uma pauta política ampla, exigindo reformas profundas e o fim do autoritarismo. Em resposta, as forças de segurança têm utilizado munição real e prisões em massa que já somam mais de 10.000 detidos para conter as multidões que ocupam as ruas de mais de 100 cidades.
Em uma contraofensiva diplomática, o governo de Teerã também convocou representantes europeus para acusar o Ocidente de interferência externa e “incentivo à sabotagem”. O Líder Supremo e o alto escalão militar alegam que as manifestações são orquestradas por potências estrangeiras para desestabilizar a nação. No entanto, o isolamento do Irã aumenta à medida que países tradicionalmente mediadores, como a Itália e a Bélgica, também elevaram o tom das críticas, exigindo a garantia imediata do direito à livre expressão e o reestabelecimento das comunicações.
Para os próximos dias, a comunidade internacional aguarda o desfecho de reuniões de emergência no Conselho de Segurança da ONU. Analistas políticos indicam que o Irã atravessa um período de fragilidade política sem precedentes, onde a combinação de sanções externas e pressão popular interna cria um impasse de difícil resolução. A expectativa é que novos pacotes de restrições financeiras sejam anunciados pela Europa e pelos Estados Unidos, visando atingir diretamente os setores de tecnologia e defesa que sustentam o aparato de repressão no país.