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Investigação revela exploração em fábricas de Arsenal, Real Madrid e Liverpool, Trabalho escravo no futebol

Uma investigação bombástica publicada pela BBC Sport nesta quinta-feira (8 de outubro de 2026) sacudiu os bastidores do futebol europeu. O relatório revelou que trabalhadoras no Camboja recebem um salário básico equivalente a menos de £ 1 por hora (cerca de R$ 7,30) para confeccionar as camisas oficiais de jogo de gigantes como Arsenal, Real Madrid, Liverpool, Aston Villa e Celtic.

A denúncia expõe o abismo financeiro entre o custo de produção na Ásia e os valores abusivos cobrados dos torcedores na Europa e no Brasil, onde uma camisa oficial de modelo “jogador” chega a custar até $120 / €109 (cerca de R$ 660,00) nas lojas de varejo.

Trabalho sob calor de 35°C e abusos verbais

A investigação rastreou a cadeia de suprimentos global até duas fábricas principais em território cambojano: a Bowker Garment Factory e a Trax Apparel. Juntas, elas empregam mais de 6.600 pessoas — em sua esmagadora maioria, mulheres — que produzem em ritmo de linha de montagem até 700 peças de roupa por dia.

Em depoimentos anônimos e acompanhados de holerites obtidos pela reportagem britânica, as operárias relataram condições descritas por entidades de direitos humanos como “sombrias”:

  • Calor extremo: Termômetros dentro das áreas de passação de roupa registraram marcas de 35,2°C combinadas com alta umidade.
  • Pressão e humilhação: Funcionárias relataram gritos, xingamentos e ameaças de demissão forçada por parte dos gerentes sempre que as cotas de produção diárias não eram atingidas.
  • Risco de vida: Uma costureira revelou ter recebido dois choques elétricos devido a fios expostos no maquinário, e que a gerência só tomou providências após o segundo acidente.

“Eu só queria que os clientes internacionais soubessem que uma única camisa que eles compram nas lojas por 90 libras(R$ 655,00) ou 109 euros(R$ 658,00) custa mais do que duas semanas inteiras do salário de uma operária aqui. Cada uma dessas peças contém o nosso suor”, desabafou uma funcionária da fábrica Trax.

O posicionamento da Adidas e a divisão do lucro

Embora não seja a proprietária direta das instalações, a gigante alemã Adidas utiliza ambas as fábricas como fornecedoras primárias de material esportivo. A marca, que atualmente veste oito dos 20 clubes da Premier League inglesa, declarou em nota que realiza cerca de 1.200 auditorias anuais em sua cadeia produtiva e que os salários locais cumprem as leis de piso salarial do Camboja.

Especialistas da indústria detalharam para onde vai o dinheiro de uma camisa padrão que é comercializada na Europa por aproximadamente €77 (cerca de R$ 465,00):

  • €34,00 (cerca de R$ 205,00) ficam diretamente com o varejista (lojas);
  • €14,70 (cerca de R$ 89,00) vão para a marca fabricante (como Adidas ou Nike);
  • €12,30 (cerca de R$ 74,00) são destinados a impostos governamentais (IVA);
  • €8,60 (cerca de R$ 52,00) são gastos em campanhas de marketing;
  • Apenas €7,70 (cerca de R$ 46,50) cobrem todo o custo combinado de tecido, costura e frete internacional.

A revelação do escândalo aumentou a pressão de associações de torcedores europeus contra o preço inflacionado dos uniformes, alegando que o mercado de réplicas legítimas tornou-se insustentável para famílias de classe média.

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