Uma manobra burocrática do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, gerou uma forte onda de críticas e suspeitas de “drible” às normas de transparência impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em um documento oficial revelado na última sexta-feira (13/03), Alcolumbre aparece como o remetente e o destinatário de um pedido para a liberação de R$ 379 milhões em emendas parlamentares.

A Justificativa: “Cumprimento de Acordo”
A defesa de Alcolumbre afirma que o “auto-envio” foi a solução técnica encontrada para cumprir o acordo firmado com o ministro Flávio Dino (STF), que exige a identificação clara do “padrinho” ou solicitante de cada verba. Como as verbas em questão são de comissão (antigo orçamento secreto), o senador assinou como solicitante para dar vazão aos recursos que, segundo ele, já estavam previstos para o estado do Amapá.
O Fator Suplente e a PF
O caso ganhou contornos criminais após a revelação de que R$ 30 milhões desse montante foram destinados a obras executadas pela construtora de Breno Chaves Pinto, segundo suplente de Alcolumbre. O empresário é alvo de uma investigação da Polícia Federal, que recentemente o flagrou saindo de uma agência bancária com R$ 350 mil em espécie.
Outros Casos no Radar do STF
O ministro Flávio Dino também apertou o cerco contra outros parlamentares nesta semana:
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Carlos Viana (Podemos-MG): Intimado a explicar o envio de R$ 3,6 milhões via “Emendas Pix” para a Fundação Oasis, ligada à Igreja da Lagoinha.
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Deputados do PL: O STF formou maioria para condenar parlamentares por exigirem “pedágio” (propina) sobre o valor de emendas destinadas a prefeituras do Maranhão.
Radiografia das Emendas (Março/2026)
| Parlamentar | Valor Sob Suspeita | Destino/Beneficiário | Situação Jurídica |
| Davi Alcolumbre | R$ 379 Milhões | Amapá (Empresa de Suplente) | Alvo de críticas por “auto-solicitação” |
| Carlos Viana | R$ 3,6 Milhões | Fundação Oasis (Lagoinha) | Prazo de 5 dias para explicação ao STF |
| Josimar Maranhãozinho | R$ 1,6 Milhão (Propina) | São José de Ribamar (MA) | Condenado pelo STF (17/03) |
Análise: O Fim da Invisibilidade?
Especialistas apontam que, embora Alcolumbre tenha seguido a regra de “colocar o nome no papel”, a destinação de valores vultosos para empresas de aliados políticos fere o princípio da impessoalidade. O ministro Flávio Dino já sinalizou que a rastreabilidade não é apenas saber “quem pediu”, mas garantir que o dinheiro não retorne para o bolso do parlamentar ou de seus financiadores de campanha.