O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, classificou como “muito imprudente” qualquer tentativa de resposta comercial da Europa diante das recentes ameaças tarifárias de Washington. A declaração, feita nesta segunda-feira (19 de janeiro de 2026) durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, ocorre após o presidente Donald Trump anunciar a imposição de uma taxa de 10% sobre produtos importados de oito nações europeias. O governo americano argumenta que a medida é uma resposta direta ao envio de tropas para exercícios militares na ilha, interpretado pela Casa Branca como um desafio à sua influência estratégica na região.

A tensão escalou no último sábado (17), quando Trump vinculou as novas tarifas à “Operação Arctic Endurance”, uma missão de treinamento liderada pela Dinamarca com apoio da França, Alemanha, Reino Unido e outros aliados. O presidente americano exige que os países europeus interrompam atividades militares autônomas no território e abram caminho para negociações sobre o controle da ilha. Segundo o cronograma anunciado por Washington, as taxas de 10% entrarão em vigor em fevereiro e podem saltar para 25% em junho, caso não haja avanços em um acordo para a transferência de soberania do território autônomo.
A Europa, por sua vez, reagiu com indignação e reafirmou que a Groenlândia não está à venda, classificando a pressão financeira como uma forma de “chantagem diplomática”. Líderes da União Europeia já iniciaram consultas para desenhar um pacote de contramedidas que pode atingir cerca de 90 bilhões de euros em produtos americanos. No entanto, Bessent alertou que o bloco europeu deveria “levar a sério as intenções do presidente” e evitar uma espiral de retaliações que poderia prejudicar a economia global e fragmentar ainda mais a aliança transatlântica em um momento de instabilidade.
Especialistas em geopolítica apontam que a disputa ultrapassa o campo comercial, atingindo o núcleo da cooperação militar na Otan. Enquanto os países europeus defendem que o reforço da segurança no Ártico é um interesse compartilhado contra ameaças externas, o governo Trump insiste que a gestão direta americana é a única forma de garantir a defesa do Hemisfério Norte. O impasse gera incertezas nos mercados internacionais, especialmente nos setores de tecnologia e indústria pesada, que dependem de cadeias de suprimentos integradas entre os dois continentes e podem sofrer com o aumento súbito dos custos de importação.
Até o momento, o governo dinamarquês mantém uma posição de firmeza, alegando que qualquer alteração no status da Groenlândia depende exclusivamente do desejo da população local e do respeito ao direito internacional. A resistência europeia conta com o apoio simbólico do Canadá, que também estuda reforçar sua presença nos exercícios árticos. Com o prazo para o início das tarifas se aproximando, a diplomacia mundial observa se haverá espaço para uma desescalada ou se 2026 será marcado por uma das maiores crises nas relações entre os Estados Unidos e seus parceiros históricos no Ocidente.