Na madrugada desta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, forças militares dos Estados Unidos realizaram a captura do petroleiro Veronica em águas caribenhas. A embarcação, que navegava sob a bandeira da Guiana, foi interceptada por fuzileiros navais e marinheiros da Força-Tarefa Conjunta Southern Spear, operando a partir do porta-aviões USS Gerald Ford. Esta ação marca a sexta apreensão de um navio de grande porte vinculado ao transporte de óleo bruto venezuelano desde o início do ano, consolidando a estratégia de “quarentena total” imposta pela administração de Donald Trump sobre os recursos energéticos do país sul-americano.

A operação militar ocorreu poucas horas antes de um encontro histórico na Casa Branca entre o presidente Trump e a líder opositora María Corina Machado, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz. A reunião a portas fechadas acontece em um momento de vácuo de poder em Caracas, após a deposição e prisão de Nicolás Maduro por forças norte-americanas no início de janeiro. O governo dos EUA tem utilizado as apreensões para reforçar que o controle sobre a distribuição do petróleo venezuelano agora passa obrigatoriamente por canais supervisionados por Washington, visando sufocar financeiramente grupos remanescentes do antigo governo.
Apesar do reconhecimento internacional de María Corina Machado como uma figura central na resistência, o cenário político em Washington apresenta nuances complexas. O governo Trump tem mantido diálogos diretos com Delcy Rodríguez, que assumiu a presidência interina com o apoio das forças armadas locais, gerando especulações sobre qual será o papel efetivo da oposição tradicional na formação do novo governo definitivo. A apreensão de navios como o Veronica serve como demonstração de força para garantir que nenhum recurso saia do território venezuelano sem a anuência dos EUA enquanto essas negociações avançam.
Especialistas em logística marítima e geopolítica apontam que a perseguição à chamada “frota fantasma” navios que tentam burlar sanções internacionais elevou drasticamente as tensões com parceiros comerciais da antiga gestão, como a Rússia. Na semana passada, o governo russo protestou formalmente contra a captura de outro navio, o Marinera, acusando os americanos de violarem o direito internacional de navegação. Contudo, o Departamento de Guerra dos EUA reafirmou que o bloqueio continuará sendo aplicado rigorosamente para impedir o financiamento de atividades ilícitas e garantir a estabilidade na região.
O impacto econômico dessas medidas já é sentido globalmente, com os Estados Unidos anunciando planos para revender o petróleo confiscado e estabilizar os preços no mercado interno. A expectativa agora gira em torno dos resultados do almoço entre Trump e Machado, que pode definir se os EUA apoiarão uma transição liderada pela oposição eleita ou se manterão o pacto de estabilidade com figuras do governo interino. O desfecho dessa crise redesenha não apenas o mapa político da América Latina, mas também as rotas de fornecimento de energia para o hemisfério ocidental em 2026.