O advogado Francisco Caputo, conhecido como Kiko Caputo, decidiu sair do bastidor institucional para testar o peso do próprio nome nas urnas. Ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional do Distrito Federal, ele confirmou que pretende disputar o Governo do Distrito Federal em 2026. O eixo do discurso é direto e pouco sofisticado na embalagem, mas ambicioso no conteúdo: esperança.
Caputo tenta vender mais do que uma candidatura isolada. A narrativa é de construção de movimento, com articulação aberta. Diz que tem conversado com líderes partidários, parlamentares e grupos interessados em um projeto que se apresente como alternativa ao modelo atual. Na leitura dele, Brasília perdeu identidade política e precisa resgatar um protagonismo que vá além da máquina pública.

Nos bastidores, a costura partidária ainda está em aberto, mas não por falta de tentativa. O prazo de filiação termina em abril de 2026, e ele reconhece que a escolha da sigla será determinante para viabilidade eleitoral. A estratégia é simples: buscar partidos com musculatura local, mas que não engessem o discurso. Quer alinhar legenda com narrativa, evitando cair em contradição logo na largada.
A proposta central gira em torno de um “novo pacto social”. Na prática, é o velho problema com uma nova embalagem: reduzir a distância entre governo e população e reconstruir confiança num ambiente político desgastado. Caputo insiste que o foco não pode ser apenas discurso. Fala em resultado concreto, principalmente para quem depende diretamente do serviço público.
A trajetória ajuda a sustentar o posicionamento. Natural de Juiz de Fora, chegou a Brasília ainda jovem, em 1973. Formou-se em Direito pelo Centro Universitário do Distrito Federal em 1994 e construiu carreira sólida na área trabalhista. Ganhou projeção ao comandar a OAB-DF em 2009 e acumulou três mandatos como conselheiro federal. Em 2014, recebeu o título de Cidadão Honorário de Brasília pela Câmara Legislativa.
No campo pessoal, assume a influência da fé como parte da decisão de entrar na disputa, mas tenta evitar rótulos que costumam desgastar candidaturas. Rejeita a imagem de radicalismo e aposta numa postura mais pragmática, baseada em diálogo e gestão.
O movimento ainda está em fase embrionária, mas o recado é claro: Caputo quer ocupar um espaço que mistura crítica ao sistema atual com promessa de renovação. Resta saber se “esperança”, palavra forte no discurso, será suficiente para atravessar o terreno duro da política do Distrito Federal.