Em uma tentativa de frear o avanço do endividamento das famílias brasileiras, o Governo Federal avalia uma medida que permite ao trabalhador utilizar o saldo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para a quitação direta de dívidas bancárias e de consumo. A proposta, que está sob análise dos Ministérios da Fazenda e do Trabalho, visa injetar liquidez na economia e reduzir o volume de CPFs negativados, que atingiu patamares críticos neste início de 2026.
Diferente dos saques extraordinários anteriores, o foco desta iniciativa seria o “uso carimbado”: o recurso não seria sacado em espécie para uso livre, mas transferido diretamente do fundo para a instituição credora, preferencialmente por meio de programas de renegociação como o Desenrola Brasil.

Caixa acaba de anunciar liberação do saque do FGTS | Imagem: Jeane de Oliveira / noticiadamanha.com.br
Como funcionaria a liberação do FGTS para dívidas?
A equipe econômica desenha um modelo que equilibre o alívio financeiro do cidadão sem desidratar o fundo, que é a principal fonte de financiamento para a habitação e saneamento no país:
• Público-Alvo: Trabalhadores com dívidas vencidas há mais de 90 dias, com prioridade para quem recebe até dois salários mínimos.
• Teto de Utilização: O governo estuda permitir o uso de até 50% do saldo disponível em contas ativas e inativas para a liquidação de débitos.
• Garantia de Empréstimo: Outra vertente da proposta é transformar o FGTS em uma garantia para novos empréstimos com juros reduzidos, permitindo que o trabalhador troque uma dívida cara (cartão de crédito ou cheque especial) por uma muito mais barata.
O Impacto na Economia e na Construção Civil
A medida enfrenta resistência de setores da construção civil, que temem a redução dos recursos destinados ao programa Minha Casa, Minha Vida. Por outro lado, o setor varejista apoia a ideia, acreditando que a limpeza do nome dos consumidores retomará o fôlego das vendas.
Próximos Passos
A decisão final depende de um parecer técnico sobre a sustentabilidade do fundo a longo prazo. Caso avance, a medida poderá ser anunciada como parte de um “pacote de bondades” próximo ao Dia do Trabalho ou durante a convenção oficial da campanha de reeleição, visando melhorar os índices de aprovação do governo entre as classes C e D.