O mercado de apostas online, as populares “bets”, entrou definitivamente no alvo do Palácio do Planalto. Nesta quinta-feira (09/04/2026), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom contra o que chamou de “jogatina desenfreada”, sinalizando que o governo editará novas medidas restritivas para frear o endividamento das famílias brasileiras e proteger os beneficiários de programas sociais.
A preocupação do governo não é apenas moral, mas econômica e de saúde pública. Dados recentes do Banco Central indicam que uma parcela significativa da renda das classes C, D e E está sendo drenada para plataformas de apostas, comprometendo o consumo de bens essenciais e aumentando a inadimplência. O presidente destacou que o Estado não pode ser conivente com um sistema que “tira o dinheiro do leite para apostar em escanteio”.
As Armas do Governo Contra as Bets
A estratégia federal para regulamentar o setor baseia-se em três pilares fundamentais que devem ser implementados via decreto e portarias ministeriais:
• Bloqueio de Cartões de Benefícios: A medida mais drástica e imediata é o impedimento técnico do uso de cartões do Bolsa Família e do BPC em plataformas de apostas. O objetivo é garantir que o recurso transferido pela União cumpra sua função de segurança alimentar.
• Restrição de Publicidade: O governo estuda proibir propagandas de apostas em horários nobres e eventos esportivos juvenis, além de banir o uso de influenciadores que prometem “ganho fácil” ou “renda extra” através dos jogos.
• Monitoramento pelo CPF: A Secretaria de Prêmios e Apostas passará a cruzar dados para identificar apostadores compulsivos. Empresas que não suspenderem contas de usuários com sinais de patologia (ludopatia) poderão perder a licença de operação no Brasil.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quarta-feira (8), a proibição, no Brasil, das apostas eletrônicas de quota fixa, as chamadas de bets.
O Impacto no Orçamento das Famílias
Relatórios técnicos enviados ao Ministério da Fazenda mostram que o brasileiro gastou bilhões em apostas no último ano, superando investimentos em caderneta de poupança.
“Estamos diante de uma dependência química digital. O governo quer arrecadar com os impostos das bets, mas o custo social de tratar o viciado e lidar com a quebra das famílias é muito maior do que o tributo que entra”, afirmou um técnico da equipe econômica.”
Reação das Empresas do Setor
As associações que representam as casas de apostas defendem a regulamentação, mas pedem cautela. Argumentam que restrições excessivas podem empurrar o apostador para o mercado ilegal (sites sem sede no Brasil), onde não há qualquer proteção ao consumidor ou pagamento de impostos.
A expectativa é que o pacote completo de “moralização” das apostas seja anunciado antes do final deste semestre, servindo como uma resposta política à pressão de setores religiosos e entidades de defesa do consumidor em pleno ano eleitoral.