A escalada do conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos nesta segunda-feira, 2 de março de 2026, ultrapassou as fronteiras militares e atingiu em cheio o agronegócio brasileiro. O Oriente Médio é um dos destinos mais estratégicos para a proteína animal do Brasil, e a intensificação das hostilidades acentuada após operações recentes contra lideranças iranianas acendeu o sinal de alerta para exportadores e produtores. A preocupação central não é a falta de demanda, mas o “estrangulamento” logístico e o aumento nos custos de produção.

A carne de frango é o terceiro principal item da pauta exportadora agrícola do Brasil para a região, representando 14,5% do total, atrás apenas do milho e do açúcar. Somente em janeiro de 2026, os embarques haviam crescido 3,6%, com os Emirados Árabes Unidos consolidando-se como o maior comprador. Agora, o setor monitora com apreensão o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho, passagens obrigatórias que, se bloqueadas ou sob risco de ataques, provocam uma disparada imediata nos custos de seguros internacionais (war risk premium) e fretes marítimos.
Os Impactos Diretos no Setor de Proteína
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) já iniciou o mapeamento de rotas alternativas para garantir que o produto brasileiro continue chegando às mesas árabes. No entanto, o custo dessa segurança é alto:
-
Logística: Desvios de rotas significam viagens mais longas, maior consumo de combustível marítimo (bunker) e menor disponibilidade de contêineres.
-
Energia: A alta do petróleo encarece o diesel usado no transporte rodoviário interno e na operação das granjas e frigoríficos.
-
Insumos: O Irã é um dos maiores produtores mundiais de ureia. Uma crise no país dispara os preços dos fertilizantes nitrogenados, elevando o custo da safra de milho, que é a base da ração das aves.
Apesar da tensão, o setor tenta manter a calma. Segundo a ABPA, o Brasil não possui volumes significativos de exportação direta de frango para o Irã, o que confere certa resiliência contra as sanções impostas a Teerã. Contudo, o efeito dominó no mercado global de commodities é inevitável. Com o dólar e o petróleo em patamares elevados devido ao risco geopolítico, a competitividade do frango brasileiro pode ser testada, já que o preço final do peito de frango que sai do Brasil tende a desembarcar no exterior “mais caro e mais tarde”.
Para o produtor brasileiro, o resumo do cenário em março de 2026 é de margens apertadas. Enquanto o mundo observa os movimentos das grandes potências, o agronegócio nacional trabalha para proteger seus contratos e garantir que o fluxo de alimentos não seja interrompido por um conflito de dimensões globais. A expectativa é que, no médio prazo, a diplomacia ajude a pacificar as rotas comerciais, mas o “prêmio de risco” já está sendo cobrado no balcão das bolsas de mercadorias.