A sofisticação das ferramentas de inteligência artificial transformou o cenário das fraudes digitais, tornando obsoletos muitos dos sinais de alerta que usuários utilizavam para identificar conteúdos falsos. O que antes exigia conhecimento técnico avançado e grandes estruturas criminosas, hoje pode ser executado de forma doméstica com ferramentas de baixo custo. Dados da Unico em parceria com a Liminal projetam que o número de vítimas de roubo de contas pode atingir 6 milhões em 2025, um salto de 141% em relação a 2021.
O fim da eficácia dos sinais visuais de fraude
Durante anos, o público foi orientado a observar falhas em imagens e vídeos, como deformações em dedos, falta de piscadas ou expressões artificiais. Contudo, a rápida evolução dos modelos de IA corrigiu grande parte desses defeitos, tornando a identificação visual a olho nu uma tarefa extremamente difícil. Rodolfo Avelino, professor no Insper, alerta que confiar apenas na percepção visual é um erro, pois os criminosos estão aprimorando constantemente a qualidade das mídias manipuladas.
Embora falhas pontuais ainda possam ocorrer, como movimentos estranhos ao virar o rosto ou dessincronia entre voz e lábios, esses elementos não são suficientes para confirmar uma fraude. A recomendação dos especialistas é abandonar a tentativa de validar a veracidade do conteúdo durante a interação e adotar protocolos de segurança mais rígidos e independentes.
Protocolos de defesa contra deepfakes e engenharia social
O risco central da atualidade é o uso de deepfakes para simular identidades, permitindo que criminosos se apresentem como clientes legítimos ou pessoas conhecidas. Diante disso, a regra de ouro é interromper qualquer contato que envolva pedidos inesperados de dinheiro, urgência emocional ou pressão para agir sem reflexão. A verificação deve ser feita sempre por um canal oficial, utilizando um número de telefone ou meio de comunicação já conhecido e confiável.
Em casos de suspeita de fraude, a prioridade é estancar o prejuízo imediato. Para transações financeiras, como o Pix, a vítima deve acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED) junto ao banco. Além disso, é fundamental bloquear cartões, alterar senhas — priorizando o e-mail principal — e registrar um boletim de ocorrência, preservando todas as provas, como conversas e comprovantes, para auxiliar nas investigações.
Brasil como terreno fértil para a criminalidade digital
O Brasil apresenta condições que favorecem a expansão desses crimes, incluindo uma população altamente conectada e uma digitalização acelerada dos serviços financeiros. São Paulo lidera o ranking de ocorrências, concentrando 22,06% dos alertas de fraude no país. A escala da atuação criminosa é preocupante: um único perfil pode estar associado a centenas de documentos de identidade e tentar atacar dezenas de empresas simultaneamente, aproveitando a falta de compartilhamento de dados entre instituições.
Para Luis Felipe Monteiro, CEO da Unico para a América Latina, o mercado está em uma corrida constante contra fraudadores que operam 24 horas por dia. A facilidade de acesso a tecnologias de manipulação ampliou o número de agentes capazes de cometer crimes, tornando a proteção das empresas um desafio complexo que exige vigilância contínua e sistemas de verificação de identidade cada vez mais robustos. Saiba mais sobre como se proteger em fontes oficiais como o [Banco Central](https://www.bcb.gov.br/).