PUBLICIDADE

GOVERNO PREPARA MEDIDA PROVISÓRIA PARA PROIBIR CASSINOS ONLINE E RESTRENGIR APOSTAS; CLUBES PREVEEM PREJUÍZO DE R$ 1 BILHÃO

O mercado de apostas virtuais no Brasil enfrenta o seu momento mais crítico. O Governo Federal está finalizando o texto de uma Medida Provisória (MP) que pretende proibir jogos de azar online, como os cassinos virtuais, e impor duras restrições às apostas esportivas. A movimentação acendeu o sinal de alerta no futebol brasileiro e nos bastidores das grandes empresas de comunicação, que já articulam uma forte reação para tentar barrar ou desidratar a proposta antes de sua publicação oficial.

A iniciativa de endurecer as regras partiu diretamente do Palácio do Planalto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem subido o tom em discursos recentes, classificando o endividamento das famílias e o vício em jogos como uma “doença” social que precisa de intervenção estatal imediata. Além do apelo social e de saúde pública, analistas políticos apontam para um forte componente estratégico: o anúncio da MP, desenhado às vésperas das eleições municipais, visa dialogar diretamente com o eleitorado feminino, grupo que estatisticamente mais rejeita o avanço das chamadas “bets” no orçamento familiar.

Contudo, a proibição total ou parcial deve gerar uma batalha bilionária. De um lado, o próprio Ministério da Fazenda calcula o impacto fiscal, uma vez que o setor já injetou cerca de R$ 10 bilhões em outorgas e impostos nos cofres públicos até julho deste ano. Do outro, os principais clubes da Série A e B do Campeonato Brasileiro estimam um prejuízo imediato de até R$ 1 bilhão em patrocínios máster e propriedades comerciais.

Em resposta à ameaça aos seus orçamentos, os clubes preparam um manifesto conjunto. A minuta do documento, que deve ser divulgada nos próximos dias, classifica a medida governamental como “eleitoreira” e argumenta que o banimento é fruto da “ineficiência do Estado em fiscalizar e combater o mercado ilegal”. Os dirigentes defendem que a regulamentação aprovada pelo Congresso deveria ser mantida e aprimorada, e não revogada por decreto.

O setor de mídia e radiodifusão também acompanha as negociações com apreensão. Grandes redes de televisão, que hoje faturam centenas de milhões de reais com publicidade em jogos e transmissões esportivas, correm o risco de perder uma de suas principais fontes de receita comercial. Empresas do setor de apostas que investiram milhões para se adequar às regras de conformidade do governo brasileiro já prometem judicializar o caso, alegando quebra de segurança jurídica.

O texto final da Medida Provisória ainda passa por ajustes técnicos na Casa Civil e na Secretaria de Assuntos Jurídicos. Até o fechamento desta reportagem, o Palácio do Planalto não havia confirmado a data exata da assinatura do decreto, que passará a ter força de lei imediatamente após a sua publicação no Diário Oficial da União.

Veja também