O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, declarou nesta segunda-feira (19 de janeiro de 2026) que o território não cederá às investidas do governo americano para uma possível anexação. Em um posicionamento oficial, o premiê enfatizou que a ilha mantém sua lealdade ao Reino da Dinamarca e que a segurança da região deve ser tratada dentro do âmbito da Otan. Nielsen destacou que, embora esteja aberto ao diálogo diplomático, não aceitará que decisões sobre a soberania do seu povo sejam tomadas sob coação ou ameaças financeiras externas.

A manifestação de Nuuk ocorre em um momento de escalada nas tensões, após o presidente Donald Trump anunciar tarifas de 10% contra nações europeias que apoiam a presença militar na ilha. O governo dos Estados Unidos justifica o interesse no território alegando a necessidade de construir um escudo antimísseis estratégico, o chamado “Domo de Ouro”, e de garantir acesso a minerais essenciais. Trump chegou a ironizar a capacidade defensiva atual da ilha, sugerindo que o território estaria vulnerável a outras potências caso os americanos não assumissem o controle total.
No centro da disputa está a “Operação Arctic Endurance”, uma missão militar liderada pela Dinamarca com a participação de países como França, Alemanha e Suécia. O objetivo do exercício é reforçar a vigilância no Ártico, mas Washington interpreta o movimento como uma afronta aos seus interesses de segurança nacional. Em resposta, o Tesouro americano alertou que a insistência europeia em manter tropas na Groenlândia é uma escolha “imprudente” que pode levar a uma guerra comercial sem precedentes entre os aliados transatlânticos.
A população local tem reagido com protestos e campanhas de reafirmação da identidade nacional, sob o lema de que “a Groenlândia não está à venda”. Pesquisas recentes indicam que a vasta maioria dos habitantes prefere manter o atual modelo de autonomia vinculada à Dinamarca a se tornar um território sob administração de Washington. O governo groenlandês tem buscado apoio na União Europeia, que já convocou reuniões de emergência para discutir formas de proteger a ilha e os países afetados pelas novas taxas de importação americanas.
Especialistas preveem que o impasse deve dominar a agenda internacional nos próximos meses, testando a resiliência das alianças ocidentais. Enquanto os Estados Unidos aumentam a pressão econômica, a Groenlândia e seus parceiros europeus tentam consolidar uma frente jurídica e diplomática baseada no direito internacional. O desfecho dessa crise poderá redefinir não apenas o mapa político do Ártico, mas também o equilíbrio de poder global e as regras de cooperação entre as maiores potências econômicas do mundo.