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Hipertensão atinge quase 30% das crianças e adolescentes no Brasil, aponta estudo

Hipertensão atinge quase 30% das crianças e adolescentes no Brasil, aponta estudo

Uma pesquisa conduzida pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) revelou um cenário preocupante para a saúde infantojuvenil no país. De acordo com os dados preliminares do programa Brasil Coração Saudável, 28,3% dos estudantes avaliados, com idades entre 7 e 18 anos, apresentam níveis de pressão arterial compatíveis com o quadro de hipertensão.

O levantamento, que conta com o apoio da Sociedade Europeia de Cardiologia, analisou 6.092 alunos de 38 escolas localizadas em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo. Os resultados foram divulgados durante o 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado no Rio de Janeiro, destacando a urgência de políticas públicas voltadas ao monitoramento cardiovascular precoce.

Correlação entre excesso de peso e pressão arterial elevada

O estudo estabeleceu uma relação direta entre o índice de massa corporal e a saúde vascular dos jovens. Entre os participantes, 33,1% apresentaram excesso de peso, sendo que 19,5% foram classificados com sobrepeso e 13,6% com obesidade. A prevalência de hipertensão escala conforme o ganho de peso: enquanto 22,6% dos jovens com peso adequado apresentam pressão alta, esse número salta para 48,4% entre aqueles que possuem obesidade.

Além do peso corporal, a gordura abdominal foi identificada como um fator de risco significativo. Jovens com a relação entre circunferência da cintura e altura acima de 0,5 registraram uma taxa de hipertensão de 40,6%. Em contrapartida, entre os estudantes cujas medidas estão dentro do padrão considerado saudável, o índice de pressão elevada cai para 24,4%.

Impactos do estilo de vida e sedentarismo na saúde escolar

A rotina dos estudantes também reflete diretamente nos indicadores de saúde. A pesquisa aponta que 66% dos alunos realizam apenas uma a duas horas de atividades físicas semanais no ambiente escolar. O dado contrasta com as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda uma média de 60 minutos diários de exercícios moderados a vigorosos para essa faixa etária.

Fatores psicossociais também foram mapeados pelos pesquisadores. Cerca de 12,7% dos jovens relataram níveis intensos ou exagerados de estresse no ambiente doméstico, enquanto 12,5% apontaram a mesma condição dentro das escolas. Esses dados sugerem que o bem-estar mental e o ambiente social são componentes indissociáveis da saúde cardiovascular na infância e adolescência.

Metodologia e próximos passos da investigação clínica

O programa Brasil Coração Saudável segue em fase de coleta de dados, com o objetivo de alcançar 12.422 participantes. Até o momento, 49% da meta foi atingida, com as avaliações ocorrendo entre 3 de junho e 7 de outubro deste ano. Os pesquisadores enfatizam que os resultados atuais são provenientes de triagem inicial.

Dessa forma, os números não devem ser interpretados como um diagnóstico definitivo de hipertensão. A confirmação clínica de quadros hipertensivos em crianças e adolescentes exige, obrigatoriamente, a realização de novas avaliações em consultas médicas posteriores para garantir a precisão do diagnóstico e o acompanhamento necessário.

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