Uma descoberta extraordinária em uma propriedade rural no Rio Grande do Sul agitou o mercado da alta gastronomia brasileira nesta semana. Uma trufa pesando impressionantes 213 gramas foi colhida em uma fazenda gaúcha, superando em até vinte vezes o tamanho médio desses fungos subterrâneos, que raramente passam de 20 gramas no país. Devido à sua dimensão e qualidade excepcionais, o produto alcançou o valor de R$ 10 mil por quilo, consolidando o potencial do Sul do Brasil como um novo polo produtor de iguarias de classe mundial.

O exemplar foi adquirido pelo renomado restaurante Tuju, localizado em São Paulo, detentor de duas estrelas no prestigiado Guia Michelin. Para o setor gastronômico, encontrar uma unidade com esse volume em solo nacional é um evento raro, já que as trufas costumam ser importadas da Europa com custos logísticos elevados. A chegada de um ingrediente tão fresco e robusto permite aos chefs explorarem texturas e aromas mais intensos, elevando o padrão dos pratos sazonais oferecidos aos clientes.
Diferente das variedades europeias mais famosas, as trufas produzidas no Brasil têm se adaptado bem ao clima das regiões mais altas e frias, especialmente em áreas de cultivo de castanheiras e carvalhos. O desenvolvimento desses fungos depende de uma simbiose perfeita entre as raízes das árvores e as condições do solo. O fato de uma peça de 213 gramas ter se formado naturalmente demonstra que as técnicas de manejo e o solo gaúcho estão atingindo um nível de maturidade técnica comparável aos tradicionais pomares italianos e franceses.
A venda recorde por R$ 10 mil o quilo reflete não apenas o peso, mas a exclusividade do item. No mercado de luxo, o frescor é o fator determinante: enquanto uma trufa importada pode levar dias para chegar à cozinha, a produção nacional permite que o ingrediente chegue à mesa em menos de 24 horas após a colheita. Isso preserva as notas aromáticas voláteis que são a marca registrada da iguaria, tornando-a um objeto de desejo para colecionadores e entusiastas da culinária refinada.
Este episódio marca um momento importante para a agricultura de precisão e a gastronomia no Brasil em 2026. A confirmação de que o país consegue produzir itens desse calibre abre portas para novas exportações e atrai investimentos para o agronegócio especializado. Especialistas acreditam que, com o sucesso desta colheita, a busca por “caçadores de trufas” e o treinamento de cães farejadores devem crescer nas serras brasileiras, transformando o que era um experimento em um mercado lucrativo e prestigiado.