A Polícia Federal (PF) oficializou a reprogramação das oitivas de nove executivos e ex-gestores envolvidos na investigação sobre a venda de ativos entre o Banco Master e o Banco Regional de Brasília (BRB). Os depoimentos, que fazem parte da Operação Compliance Zero, foram reagendados para os dias 26 e 27 de janeiro (segunda e terça-feira). O ajuste no cronograma ocorre em meio a um cenário de tensão institucional, após o ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a concentração de todas as falas em apenas 48 horas.

Originalmente, os investigadores da PF haviam planejado um período de seis dias para realizar os interrogatórios, estendendo-se até o início de fevereiro. No entanto, o ministro Toffoli rejeitou a proposta inicial, justificando que a redução do prazo é necessária devido à “limitação de pessoal e disponibilidade de salas” nas dependências da Corte, onde os atos devem ocorrer. Essa decisão sobrecarrega a equipe de investigação, que agora precisará colher os relatos de forma intensiva para cumprir o novo rito judiciário.
O foco central das perguntas será a transação de R$ 12,2 bilhões em créditos que, segundo a PF, seriam “insubsistentes” ou inexistentes, negociados entre as duas instituições financeiras. Entre os convocados para os depoimentos estão ex-sócios do Banco Master e antigos membros da cúpula do BRB. Notavelmente, o dono do Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do banco brasiliense, Paulo Henrique Costa, não foram incluídos nesta rodada específica, uma vez que já passaram por acareações presenciais no final de 2025.
As defesas dos investigados reagiram com preocupação à celeridade imposta pelo tribunal. Advogados relataram dificuldades em acessar o conteúdo integral das provas sigilosas antes da data marcada para os depoimentos, o que pode levar alguns alvos a optarem pelo direito ao silêncio. A investigação apura crimes graves, como gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro, tendo já resultado no bloqueio judicial de aproximadamente R$ 5,7 bilhões em bens de pessoas ligadas ao esquema.