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Justiça Suspende Socorro Bilionário ao BRB com Imóveis Públicos

Justiça Suspende Socorro Bilionário ao BRB com Imóveis Públicos

Em uma decisão que impõe uma derrota significativa ao governo de Ibaneis Rocha (MDB), a Justiça do Distrito Federal concedeu, nesta segunda-feira, 16 de março de 2026, uma liminar que suspende a lei autorizando o uso de nove imóveis públicos para socorrer o Banco de Brasília (BRB). A medida trava, ao menos temporariamente, a tentativa do Palácio do Buriti de injetar até R$ 6,6 bilhões na instituição para cobrir o “rombo” financeiro provocado por operações ligadas ao Banco Master.

Sede do BRB, em Brasília — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo

A decisão foi assinada pelo juiz federal Daniel Carnacchioni, que atendeu a pedidos de ações populares e institutos de fiscalização. O magistrado destacou que a operação carece de transparência e estudos técnicos que comprovem que a medida não causará danos irreversíveis ao patrimônio público e à organização urbanística da capital.

Os Imóveis no Centro da Disputa

A lei suspensa previa que terrenos valiosos, pertencentes a empresas estatais como Terracap, CEB, Caesb e Novacap, seriam transferidos ao banco ou usados como garantia para empréstimos junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Entre as áreas afetadas estão:

  • Serrinha do Paranoá: Uma região de proteção ambiental com mais de 100 nascentes, cuja inclusão gerou fortes protestos de movimentos ambientalistas.

  • Sede da Novacap: Um dos ativos operacionais mais importantes listados no pacote de capitalização.

  • Terrenos na área de saúde: Áreas vinculadas à Secretaria de Saúde do DF que seriam dadas como lastro financeiro.

Os Argumentos da Justiça

O juiz Carnacchioni fundamentou a suspensão com base em três pilares principais:

  1. Falta de Transparência: O magistrado pontuou que o governo não apresentou laudos de avaliação atualizados nem estudos que demonstrassem o impacto real da medida sobre o caixa das outras estatais envolvidas.

  2. Desvio de Finalidade: A decisão questiona se é legítimo “socializar o prejuízo” de um banco estatal  gerado em transações com o grupo privado de Daniel Vorcaro  utilizando ativos que pertencem à coletividade.

  3. Risco de Liquidação de Patrimônio: Existe o temor de que os imóveis, uma vez transferidos ao BRB, fossem rapidamente liquidados via fundos imobiliários, retirando o controle do Estado sobre áreas estratégicas de Brasília.

O Que Acontece Agora?

Apesar da liminar, a Assembleia Geral Extraordinária do BRB, marcada para esta quarta-feira (18 de março), foi mantida. Nela, os acionistas deverão discutir outras formas de aumento de capital, mas estão proibidos de executar qualquer ato que envolva a transferência ou alienação dos imóveis listados na lei suspensa.

O governador Ibaneis Rocha já anunciou que o GDF irá recorrer da decisão, defendendo que a estratégia foi planejada desde 2019 e é essencial para manter a solvência do banco e a estabilidade do sistema financeiro regional. Enquanto isso, a oposição na Câmara Legislativa (CLDF) aproveita o revés judicial para reforçar o pedido de uma CPI do BRB/Master, alegando que o “cheque em branco” dado pelo governo foi barrado pelo guardião do patrimônio público: o Judiciário.

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