O cinema de Josh Safdie sempre foi sinônimo de adrenalina, no entanto, em seu mais novo projeto solo, ‘Marty Supreme’, o diretor troca a correria frenética por uma elegância nostálgica e uma reverência quase religiosa ao tênis de mesa.
Estrelado por um Timothée Chalamet em estado de graça (o menino cresceu e virou homem), o filme é uma relação de amor à obsessão e ao talento, ainda que exija do espectador um fôlego considerável para suportar sua cadência.
Desde o primeiro frame, fica claro que Safdie buscou uma reconstituição de época impecável, a fotografia amarelada e o figurino vibrante transportam o público para o universo competitivo do pingue-pongue nos anos 30 com uma autenticidade rara.

Timothée Chalamet entrega sua primeira performance magnética encarnando Marty com uma mistura de arrogância técnica e vulnerabilidade, provando (inclusive pra mim) que consegue carregar um filme nas costas mesmo quando a trama decide estagnar, o elenco de apoio e a trilha sonora jazzística com elementos de canções dos anos 80 e 90, mesmo que em épocas diferentes completam uma experiência sensorial que é, sem dúvida, um deleite para os cinéfilos.
O calcanhar de aquiles é o ritmo contemplativo, apesar de sua beleza plástica e profundidade psicológica, Marty Supreme enfrenta um obstáculo que pode afastar o público mais acostumado à agitação anterior dos Safdie: seu ritmo.

Em diversos momentos, o filme se perde em sequências de treinamento e diálogos existenciais que parecem girar em falso, o que deveria ser um estudo de personagem profundo muitas vezes se torna arrastado, esticando o tempo de tela além do necessário para contar sua história principal.
A insistência em planos longos e silêncios contemplativos faz com que o meio do segundo ato pareça uma subida íngreme com um saco de cimento nas costas, onde o drama é sacrificado em nome do estilo.
“Marty Supreme” é uma obra-prima visual e a melhor atuação da carreira de Chalamet, é um filme que brilha pela sua coragem técnica, mas que falha ao não reconhecer que, às vezes, menos é mais, para quem busca uma imersão artística, é imperdível; para quem busca ritmo, é um teste de paciência.
Nota 4/5