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Meta lança óculos inteligentes sem câmera em resposta a críticas de privacidade

Meta lança óculos inteligentes sem câmera em resposta a críticas de privacidade
1 de 1 Óculos inteligentes da Meta — Foto: Bloomberg via Getty Images via BBC

A Meta anunciou uma mudança em sua linha de dispositivos vestíveis ao apresentar o Ray-Ban Meta Audio, uma edição dos seus populares óculos inteligentes que dispensa totalmente a presença de câmeras integradas. A novidade foca na reprodução sonora e chamadas telefônicas, buscando afastar a rejeição gerada pelos modelos anteriores.

O dispositivo original, desenvolvido em parceria com a tradicional fabricante Ray-Ban, enfrentou severas controvérsias internacionais desde que chegou às lojas. Casos documentados de gravações sem consentimento de mulheres e meninas em espaços públicos renderam ao produto apelidos pejorativos e restrições de uso em diversos estabelecimentos comerciais e militares no exterior.

Privacidade em foco e nova estratégia de hardware

Diferente da primeira versão, os novos óculos contam apenas com alto-falantes abertos posicionados nas hastes, microfones embutidos e conexão direta via Bluetooth com o aplicativo de inteligência artificial da empresa. O sistema canaliza o áudio diretamente para os ouvidos do usuário sem isolar o som ambiente, funcionando como fones convencionais.

Segundo a companhia de tecnologia, o modelo é mais leve, apresenta maior autonomia de bateria e chega com preço mais acessível. Embora analistas interpretem a medida como uma resposta direta aos protestos, a empresa sustenta que o acessório já estava em processo de desenvolvimento há dois anos.

Rejeição pública, proibições e pedidos de regulação

A presença de lentes capazes de filmar de maneira discreta provocou vetos imediatos no Reino Unido. Redes de pubs como a JD Wetherspoon, salas de teatro, eventos como a Comic-Con e até a base naval britânica de Faslane proibiram a entrada de pessoas portando a versão com câmera do acessório.

A reação da sociedade civil também incluiu petições públicas exigindo regras rígidas de mercado e iniciativas independentes de proteção. Um exemplo é o aplicativo criado por programadores para detectar sinais de óculos ativos via Bluetooth, refletindo a crescente apreensão sobre vigilância involuntária.

A corrida tecnológica e a utilidade dos vestíveis

Apesar dos atritos éticos, o formato conquistou nichos específicos e gerou impactos positivos, especialmente entre pessoas com deficiência visual. Os recursos de descrição sonora em tempo real e leitura automatizada de cardápios e placas tornaram os aparelhos ferramentas de acessibilidade reconhecidas por entidades assistenciais.

O mercado de dispositivos vestíveis continua aquecido, com concorrentes desenvolvendo alternativas próprias para consolidar os óculos inteligentes como os eventuais sucessores dos telefones celulares, segundo detalhes apurados pela reportagem da BBC sobre os rumos do setor tecnológico.

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