Em um gesto de transparência sem precedentes na história da Suprema Corte brasileira, um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) declarou publicamente, nesta quarta-feira (01/04/2026), que já fez uso de cannabis em sua juventude e defendeu abertamente o fim da “guerra total às drogas”. A fala ocorreu durante um seminário internacional sobre políticas de segurança pública e direitos humanos, no momento em que o tribunal retoma o julgamento histórico sobre a descriminalização do porte de maconha para uso pessoal.
O magistrado argumentou que a atual política proibicionista é “falida e seletiva”, servindo mais para encarcerar jovens negros e pobres do que para desarticular as grandes estruturas do narcotráfico. Segundo o ministro, a experiência pessoal de muitos cidadãos, incluindo autoridades, não deveria ser tratada sob o prisma do direito penal, mas sim da saúde pública e da liberdade individual. “Não podemos mais sustentar um sistema que trata como criminoso aquele que busca uma substância para fins recreativos ou terapêuticos, enquanto ignoramos o custo social e humano dessa repressão”, afirmou.
Os Eixos do Discurso do Ministro:
• Fracasso da Repressão: O ministro destacou que décadas de “guerra às drogas” não reduziram o consumo, mas elevaram os índices de violência urbana e a corrupção de agentes públicos.
• Saúde Pública vs. Polícia: Defendeu que os recursos gastos no aparato repressivo seriam mais eficientes se redirecionados para a prevenção, educação e tratamento de dependentes químicos.
• Critério Quantitativo: Reforçou a necessidade urgente de o STF estabelecer uma quantidade fixa (em gramas) para diferenciar o usuário do traficante, evitando que a interpretação policial seja o único critério na hora do flagrante.

Reação nos Três Poderes e na Sociedade
A declaração gerou um “terremoto” político em Brasília. No Congresso Nacional, parlamentares da bancada conservadora reagiram com indignação, classificando a fala como “imprópria para um magistrado” e acusando o ministro de fazer apologia ao uso de substâncias ilícitas. Por outro lado, associações de direitos humanos e movimentos pela reforma da lei de drogas celebraram a coragem do posicionamento, vendo-o como um passo fundamental para o fim do estigma e para uma legislação mais racional.
No âmbito jurídico, analistas acreditam que a fala antecipa um voto favorável à descriminalização do porte para uso, o que pode formar maioria no STF nos próximos meses. A tendência é que a Corte siga o modelo de países como Portugal e Alemanha, onde o porte de pequenas quantidades não resulta em prisão, mas sim em sanções administrativas ou encaminhamento para redes de apoio social.
A polêmica deve dominar a pauta do Judiciário em 2026. Enquanto o governo monitora o impacto da declaração na opinião pública, o STF se prepara para definir o marco regulatório que poderá mudar o destino de milhares de processos judiciais em curso no país. O debate agora não é mais se a política atual funciona o consenso acadêmico é de que não mas sim como transitar para um modelo que privilegie a vida e a segurança jurídica sem incentivar o consumo desenfreado.