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Mistério na Natureza: Ácaro que Forma “Colares” em Aranhas Chega ao Brasil

Mistério na Natureza: Ácaro que Forma “Colares” em Aranhas Chega ao Brasil

Cientistas do Instituto Butantan identificaram, pela primeira vez em território brasileiro, uma espécie de ácaro que se comporta de maneira peculiar ao parasitar aranhas. O pequeno organismo foi encontrado em exemplares coletados na região de Pinheiral, no Rio de Janeiro, e chamou a atenção por se agrupar em volta do “pescoço” dos aracnídeos. Esse comportamento cria uma aparência visual semelhante a um colar de pequenas pérolas, mas, na realidade, trata-se de larvas em busca de alimento para garantir seu desenvolvimento.

(Ricardo Bassini-Silva/Reprodução)

O alvo principal desse parasita são aranhas jovens, que possuem o corpo mais macio e vulnerável a ataques. As larvas, que medem cerca de meio milímetro, instalam-se na articulação que une as duas partes principais do corpo da aranha. Ali, elas perfuram a camada externa do hospedeiro para sugar a hemolinfa — um líquido transparente que desempenha a função de sangue nesses animais. Imagens divulgadas pelos pesquisadores mostram as larvas visivelmente inchadas, indicando um consumo intenso de nutrientes do organismo das aranhas.

Embora o gênero desse ácaro já fosse conhecido em países da América Central, como a Costa Rica, esta é a primeira confirmação de sua presença no ecossistema brasileiro. A descoberta é considerada um marco para a biologia nacional, pois sugere que o país pode abrigar uma diversidade ainda desconhecida de microparasitas tropicais. O fato de os exemplares terem sido encontrados próximos a áreas de cavernas e grutas reforça a tese de que esses ambientes escondem interações biológicas complexas que ainda não foram totalmente catalogadas pela ciência.

Um detalhe curioso apontado pelos biólogos é que apenas as larvas desse ácaro levam uma vida de parasita. Ao atingirem a fase adulta, esses seres mudam drasticamente de comportamento e de habitat, passando a viver no solo como predadores de vida livre. Nessa fase, eles deixam de depender das aranhas e passam a caçar pequenos insetos ou outros ácaros menores. Essa mudança de estilo de vida dificulta a localização dos adultos na natureza, o que explica por que a espécie foi identificada inicialmente apenas por meio de suas larvas “viajantes”.

[Image showing the life cycle of the parasitic mite from larva to free-living adult]

A revelação deste novo habitante da fauna brasileira abre caminho para novos estudos sobre o equilíbrio ecológico e o controle natural de populações de aracnídeos. Pesquisadores agora pretendem investigar se esses ácaros também podem se alojar em outras espécies de insetos e como sua presença afeta o crescimento e a sobrevivência das aranhas hospedeiras. O achado reforça a importância da preservação de coleções científicas e do monitoramento constante da biodiversidade em biomas estratégicos, como a Mata Atlântica fluminense.

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