Relatórios de inteligência financeira da Polícia Federal e do Coaf, divulgados nesta quinta-feira, 5 de março de 2026, detalham movimentações bancárias envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”. Os documentos, que fazem parte de um desdobramento de investigações sobre lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio, apontam repasses que somam aproximadamente R$ 2,5 milhões realizados entre 2023 e 2025.

Segundo a perícia técnica, as transferências teriam ocorrido de forma fracionada para contas vinculadas a empresas de consultoria de Fábio Luís. O relatório indica que parte dos valores originou-se de contas pessoais do presidente Lula e de doações registradas por Paulo Okamotto. A investigação busca agora esclarecer a natureza desses repasses e se os serviços de consultoria declarados pelas empresas de “Lulinha” foram efetivamente prestados ou se serviram como mecanismo para a circulação de capitais sem a devida comprovação de origem lícita.
A defesa do presidente Lula e de Paulo Okamotto emitiu nota conjunta afirmando que todas as movimentações financeiras são lícitas, foram devidamente declaradas à Receita Federal e possuem lastro em rendimentos pessoais e atividades profissionais comprovadas. Os advogados classificaram a divulgação dos dados como uma “tentativa de requentar investigações antigas com fins puramente políticos” e ressaltaram que não há qualquer irregularidade em transferências familiares ou doações entre indivíduos que possuam histórico de relação profissional e pessoal de longa data.
Fábio Luís Lula da Silva, por meio de seus representantes, também negou qualquer ilegalidade, reiterando que suas empresas operam dentro da legalidade e que os valores recebidos referem-se a honorários por serviços de gestão e estratégia de mercado. O Ministério Público Federal (MPF) solicitou a quebra do sigilo fiscal das empresas envolvidas para cruzar os dados com as notas fiscais emitidas no período. O caso segue sob análise da Justiça Federal, que decidirá se as provas são suficientes para a abertura de uma ação penal formal por crimes contra o sistema financeiro.
A repercussão no Congresso Nacional foi imediata, com parlamentares da oposição pedindo a convocação de Paulo Okamotto para prestar esclarecimentos na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle. Já a base governista argumenta que se trata de uma “invasão de privacidade” e que os valores citados são compatíveis com o patrimônio declarado dos envolvidos, não justificando a espetacularização do caso em meio ao cenário político de 2026.