O Hospital Regional da Asa Norte (Hran) lançou nesta terça-feira (31/03/2026) a campanha “Gesto Seguro: descarte correto, mãos seguras”, apresentando uma inovação tecnológica voltada para a proteção dos profissionais de saúde. O destaque da iniciativa é um novo dispositivo saca-lâminas desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT). O equipamento foi projetado para eliminar o contato manual direto no momento da desconexão de lâminas de bisturi, etapa que concentra o maior índice de acidentes ocupacionais em centros cirúrgicos.
A implementação do dispositivo responde a um desafio histórico na biossegurança hospitalar. Tradicionalmente, a retirada da lâmina do cabo do bisturi exige movimentos de precisão que, se falharem, podem causar cortes profundos e exposição a patógenos perigosos, como os vírus das hepatites B e C e o HIV. Com o novo sistema, o descarte é feito de forma mecânica e blindada: o profissional insere o instrumento no dispositivo, que desacopla a lâmina e a deposita diretamente no coletor de perfurocortantes, sem qualquer risco de escape ou ferimento.
Diferenciais da Tecnologia “Made in Brasília”:
• Prevenção de Acidentes: Foca no ponto crítico da desconexão de lâminas, onde a Norma Regulamentadora 32 (NR 32) já proíbe o manuseio direto, mas faltavam ferramentas práticas de suporte.
• Financiamento do MPT: O projeto foi viabilizado com recursos de multas trabalhistas e danos morais coletivos, revertendo punições a empresas em benefícios diretos para a segurança dos trabalhadores do SUS.
• Desenvolvimento Acadêmico: Criado no Laboratório Aberto de Brasília (LAB) da UnB, o protótipo passou por rigorosos testes de ergonomia e resistência antes de chegar à rede pública.

Impacto na Rede Pública de Saúde
A Secretaria de Saúde do DF planeja expandir o uso do saca-lâminas para outras unidades da rede, como o Hospital de Base e o Hospital Regional de Taguatinga, após o período de adaptação no Hran. A meta é reduzir em até 70% as notificações de acidentes com materiais perfurocortantes nas áreas cirúrgicas até o final de 2026. Além do ganho em saúde para o trabalhador, a medida gera economia para o Estado, reduzindo gastos com protocolos de profilaxia pós-exposição (PEP) e afastamentos médicos.
A campanha também reforça a importância da segregação correta de outros materiais, como agulhas e ampolas de vidro, que devem ser depositados em caixas de papelão rígido (coletores amarelos) respeitando o limite de enchimento. Segundo a procuradora do trabalho Geny Marques, a iniciativa é um exemplo de como a integração entre ciência, justiça e gestão pública pode transformar o cotidiano de quem cuida da população.