O balcão de negócios da democracia brasileira acaba de abrir oficialmente as portas para a temporada de 2026, com o carimbo de qualidade do Tribunal Superior Eleitoral. Sob a batuta do TSE, seis chapas presidenciais já ganharam o sinal verde para começar o espetáculo de promessas vazias e sorrisos plastificados que o eleitor, resignado, já conhece de cor e salteado.
Na linha de frente do repeteco governista, temos a insossa, mas resiliente, dupla dinâmica Lula e Alckmin. O casamento de conveniência que uniu a esquerda festiva ao eterno picolé de chuchu paulista tenta provar que a fórmula do pragmatismo fisiológico ainda tem fôlego para mais quatro anos de reconstrução e jantares de gala em Brasília.
Do outro lado da trincheira polarizada, a marca registrada da família Bolsonaro tenta se manter viva no topo, mas agora com o herdeiro número um, Flávio Bolsonaro, dividindo a cena com Alfredo Gaspar. É a tentativa de provar que o sobrenome ainda carrega o peso do messianismo de direita, mesmo que o candidato em questão passe boa parte do tempo se explicando nos tribunais.
Para quem gosta de um sapatênis corporativo misturado com cruzada moralista, a chapa de Romeu Zema e Eduardo Girão surge como o autêntico sonho de consumo da Faria Lima. Enquanto isso, na extrema-esquerda jurássica, PSTU e PCB mantêm viva a tradição de lançar candidaturas nanicas que servem apenas para lembrar que a revolução comunista continua atrasada e sem previsão de chegada.
Mas o verdadeiro suco de Brasil reside na lista dos sete pretendentes que ainda aguardam o julgamento do TSE, uma verdadeira galeria de personagens exóticos que parece ter sido gerada por uma inteligência artificial em um dia de ressaca criativa.
O ápice do surrealismo atende pelo nome de Augusto Cury, o psiquiatra e escritor de autoajuda que decidiu que governar o país é apenas uma questão de vender inteligência multifocal. Em um país com os nervos à flor da pele, talvez a estratégia seja anestesiar o eleitorado com frases de efeito e distribuição de livros de bolso.
No quesito vendedores de ilusão digital, a disputa ganha o reforço de Pablo Marçal e Renan Santos. O primeiro promete prosperidade instantânea e códigos mentais para o enriquecimento rápido, enquanto o segundo tenta transformar o ativismo de rede social em uma máquina estatal viável, mostrando que a política de 2026 é governada puramente pelo algoritmo.
Não podemos esquecer dos profissionais do fisiologismo, representados pela união altamente pragmática de Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab. É o velho coronelismo do agronegócio de mãos dadas com o maior articulador de bastidores do país, o tipo de aliança que garante que, não importa quem vença, o centrão continuará mandando em tudo.
Ao todo, são treze postulantes ao cargo mais cobiçado da República, um recorde que reflete não a pujança da nossa democracia, mas o desespero de partidos fisiológicos que precisam torrar o bilionário fundo eleitoral de qualquer maneira.
Até o dia 14 de setembro, o TSE terminará de carimbar as autorizações para que essa trupe comece a marchar oficialmente. Ao cidadão comum, resta apenas preparar o estômago para mais uma temporada de debates vazios e escolher qual será o veneno de sua preferência para os próximos quatro anos.