Bem-vindos ao maravilhoso hospício global, onde o progresso corre de ré e as grandes potências disputam quem passa mais vergonha. Enquanto Cuba comemora o retorno parcial da energia elétrica como se tivesse descoberto o fogo, o resto do planeta se esforça para apagar as luzes da razão.
Em Havana, o terceiro apagão geral em pouco mais de uma semana é tratado quase como um fenômeno climático inevitável, e não como a incompetência crônica de um regime falido. Entre o calor sufocante e a comida estragando na geladeira desligada, os cubanos são alimentados com a velha e desgastada desculpa de que a culpa de tudo é do embargo norte-americano.
Do outro lado do estreito da Flórida, a “terra da liberdade” resolveu que a hospitalidade agora tem cronômetro. O governo dos Estados Unidos decidiu apertar o cerco contra estudantes e jornalistas estrangeiros, impondo prazos de validade rigorosos para quem se atreve a tentar entender ou relatar a decadência do império.
Profissionais da imprensa internacional terão meros 240 dias para trabalhar no país antes de serem convidados a se retirar, a menos que consigam uma burocrática prorrogação. É a diplomacia do “publique e suma”, garantindo que ninguém fique tempo demais investigando as entranhas do circo político americano.
Aliás, o mestre de cerimônias do caos, Donald Trump, continua disparando teorias da conspiração para manter sua plateia entretida. A bola da vez é a acusação, sem provas para variar, de que a China teria hackeado dados de milhões de eleitores para interferir nas eleições.
Não satisfeito, Trump ainda alegou que Pequim anda subornando jornalistas americanos para atacá-lo. É o clássico malabarismo retórico de quem prefere culpar um inimigo externo em vez de admitir que o próprio quintal está em chamas, sabotando a trégua comercial que já era frágil por natureza.
A China, com a frieza diplomática que lhe é peculiar, deu de ombros e chamou as acusações de infundadas. Afinal, Pequim tem mais o que fazer, como dominar a economia global, do que gastar neurônios tentando influenciar um processo eleitoral que já se sabota sozinho.
Mas se você pensa que o atraso mental é exclusividade do Ocidente, o Oriente prova que a modernidade tecnológica convive muito bem com o feudalismo social. O Japão, país dos trens-bala e da robótica avançada, decidiu reafirmar que, em pleno século XXI, mulher ainda não serve para herdar o trono imperial.
O Parlamento japonês até reformou a lei de sucessão, mas manteve o veto medieval às mulheres no Trono do Crisântemo. Com isso, todo o futuro da dinastia mais antiga do mundo repousa sobre os ombros de Hisahito, um jovem de 19 anos, apenas porque a biologia o agraciou com um cromossomo Y, enquanto princesas qualificadas são descartadas.
Da escuridão literal de Havana à escuridão ideológica de Washington, passando pelo machismo institucionalizado de Tóquio, a geopolítica atual mostra que a humanidade adora fingir que avança, enquanto se agarra desesperadamente aos seus piores hábitos.