Sete anos de silêncio, uma pequena cidade que não esquece e o desejo desesperado de uma mãe por redenção, essa é a premissa de “Uma Segunda Chance”, a mais nova aposta da Universal Pictures para consolidar o “Universo Colleen Hoover” nas telonas.
Dirigido por Vanessa Caswill, o longa não apenas adapta um livro; ele tenta traduzir a angústia visceral de quem já perdeu tudo e precisa convencer o mundo de que ainda merece existir.
O filme acompanha Kenna Rowan (Maika Monroe), que retorna à sua cidade natal no Wyoming após cumprir cinco anos de prisão por um erro trágico que resultou na morte de seu namorado, Scotty, o objetivo de Kenna é simples, mas quase impossível: conhecer a filha pequena que ela nunca teve a chance de segurar nos braços.

Contudo, as pontes foram queimadas, a comunidade local, liderada pela dor intransigente de Grace (Lauren Graham), mãe de Scotty, vê em Kenna apenas o lembrete de uma tragédia, o único ponto de luz surge em Ledger Ward (Tyriq Withers), dono do bar local e ex-melhor amigo de Scotty, que se vê dividido entre a lealdade ao passado e uma conexão inesperada e perigosa com a mulher que todos odeiam.
Maika Monroe entrega uma performance contida e melancólica, usa o olhar para transmitir a exaustão de uma mulher que já se perdoou, mas sabe que o mundo ainda não o fez, a química entre ela e Tyriq Withers é o motor do filme, Withers traz a dose certa de conflito moral para Ledger, transformando o romance em algo que parece, ao mesmo tempo, um remédio e um veneno para os protagonistas, o elenco de apoio, que conta com Rudy Pankow e o veterano Bradley Whitford, dá a densidade necessária ao ambiente hostil da pequena cidade.

Vanessa Caswill opta por uma paleta de cores frias e enquadramentos que ressaltam o isolamento de Kenna, a trilha sonora, que inclui a participação da estrela country Lainey Wilson, pontua os momentos de “cartas para o passado”, recurso utilizado para manter a essência do livro original.
O filme não foge das perguntas difíceis: o perdão é um direito ou um privilégio? E até onde o luto pode justificar a crueldade.

“Uma Segunda Chance” cumpre o que promete, é um “drama de lenço” que deve ressoar fortemente com os fãs de Hoover e com o público que busca histórias sobre a complexidade humana.
Embora em alguns momentos o roteiro flerte com o melodrama excessivo, a força do arco de redenção de Kenna mantém o espectador preso até o último frame, éuma obra sobre a beleza das frestas onde a luz entra, mesmo quando as portas estão trancadas.
Nota 5/5