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O Surto de Pretensão do Pop-Rock Candango: A Saga da Banda Belga

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Mais uma banda de Brasília nascida nos corredores do colégio na Asa Sul resolveu que o mundo precisava ouvir seus dilemas juvenis. A banda Belga surge com aquele velho roteiro conhecido: amigos de adolescência que, entre uma aula e outra, decidem que sabem fazer barulho suficiente para chamar de música.

O que começou como um “passatempo descompromissado” na UnB acabou ganhando contornos de obsessão em 2013, quando lançaram um EP entupido de DRs musicadas. É o clássico fenômeno brasiliense de acreditar que qualquer desabafo de garagem merece um holofote.

Com a audácia típica de quem herda o selo de “capital do rock”, o grupo misturou guitarras pesadas com uma pegada pop para tentar agradar a gregos e troianos. O resultado? Duas músicas com clipe no YouTube e a ilusão de que a internet os consagraria como os novos salvadores da pátria musical.

O Surto de Pretensão do Pop-Rock Candango: A Saga da Banda Belga

A glória máxima veio ao dividirem o palco com a Fresno, o bastião do melodrama emo nacional. Para quem almeja o topo, contentar-se em ser a banda de abertura de ídolos da década passada mostra que a régua da ambição às vezes é surpreendentemente baixa.

Em 2017, veio a crise de meia-idade precoce: a necessidade de parecerem “maduros”. Lançaram o EP “Âmbar”, que os levou para turnês em metrópoles improváveis como Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, provando que o conceito de “conquistar o Brasil” é bastante elástico.

A cereja do bolo da pretensão intelectual é a afirmação de que a maior referência da banda não é musical, mas sim René Magritte. Forçar uma conexão entre o surrealismo belga e canções de término de namoro é de um malabarismo conceitual que faria o próprio pintor questionar a própria sanidade.

Ao analisarmos a letra de “Âmbar”, com versos profundos como “Me deixa te querer até mais do que eu”, percebemos que Magritte deve estar se revirando na tumba. É o bom e velho pop meloso travestido de alta cultura para impressionar universitários carentes.

A salada de referências não para por aí. Citam de Madonna e Michael Jackson a NX Zero e Scalene. No liquidificador de influências da Belga, o popstar global e o rock de shopping de meados dos anos 2000 convivem em um ecossistema que beira a esquizofrenia estética.

Como a música não paga os boletos de ninguém ali, a realidade bate à porta durante a semana. Divididos entre cursos de História e Comunicação, e empregos em publicidade e ciência política, os integrantes personificam o pacote completo do jovem de classe média brasiliense.

No fim, vendem o “faça você mesmo” — da composição à assessoria de imprensa — como um grande diferencial de mercado. Na verdade, é só a constatação óbvia de que falta orçamento para contratar profissionais. Resta saber se o júri do Brasília Independente 2018 vai comprar esse pacote ou deixá-los no eterno limbo das promessas locais.

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