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Operação Serpens: Investigação Revela Infiltração e Esquema de Ocultação em Padaria de São Paulo

Operação Serpens: Investigação Revela Infiltração e Esquema de Ocultação em Padaria de São Paulo

Uma ação conjunta entre a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo resultou, nesta sexta-feira (16 de janeiro de 2026), na detenção de uma delegada recém-empossada e seu companheiro, apontado como uma das principais lideranças de uma organização criminosa com forte atuação no Norte do país. A investigação, denominada Operação Serpens, aponta que o casal adquiriu um estabelecimento comercial do setor de panificação na Zona Leste da capital paulista com o objetivo específico de legitimar recursos financeiros de origem ilícita.

Layla Lima Ayub, foi presa na manhã desta sexta-feira (16) sob a suspeita de estar envolvida com o PCC (Primeiro Comando da Capital) • Reprodução/Redes Sociais

As autoridades de segurança pública detalharam, em coletiva de imprensa, que o monitoramento do grupo começou após suspeitas sobre a conduta da servidora, que tomou posse no final de 2025. De acordo com os relatórios oficiais, ela teria atuado de forma irregular como defensora jurídica de membros da facção em audiências de custódia mesmo após assumir o cargo público. O vínculo entre a delegada e o líder criminoso, que descumpriu medidas judiciais para se mudar para São Paulo, ficou evidenciado pela residência compartilhada e pela presença dele em eventos oficiais.

O esquema de lavagem de dinheiro utilizava a padaria, localizada no bairro Jardim Itapemirim, como fachada para a movimentação de capitais da organização. Documentos apreendidos durante as diligências comprovam a transação de compra do imóvel pelo valor de R$ 40 mil, um montante considerado abaixo do mercado para esse tipo de operação, o que reforçou a tese de ocultação de patrimônio. A estratégia visava misturar faturamentos reais do comércio com valores oriundos de atividades criminosas, dificultando o rastreamento bancário.

A cúpula da segurança paulista enfatizou que a identificação do caso ocorreu graças aos mecanismos internos de controle e corregedoria. O secretário de Segurança Pública afirmou que a instituição agiu com rapidez para impedir que a estrutura do Estado fosse contaminada por interesses de grupos criminosos. A operação destaca a preocupação crescente com a tentativa de infiltrados em cargos estratégicos da administração pública para facilitar o apoio logístico e jurídico a facções.

Atualmente, os investigados permanecem sob custódia e responderão por crimes que incluem associação criminosa, lavagem de bens e exercício irregular da profissão. A polícia segue analisando os computadores e documentos confiscados para identificar se outros comércios ou agentes públicos possuem envolvimento direto com a rede liderada pelo casal. O caso serve como um alerta para o rigor nos processos de acompanhamento funcional de novos servidores em setores sensíveis do combate ao crime.

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