Em cartaz a partir de 9 de abril nos cinemas brasileiros, Os Estranhos: Capítulo Final (The Strangers: Chapter 3) chega para encerrar a trilogia iniciada por Renny Harlin em 2024.
Com Madelaine Petsch retornando como Maya, o filme promete um “brutal acerto de contas” contra os assassinos mascarados, na prática, entrega apenas mais uma dose de tédio disfarçado de terror, fechando uma das sagas mais desnecessárias e frustrantes do gênero nos últimos anos.
Desde o início, o problema é estrutural, a ideia de esticar uma premissa simples, um casal aterrorizado por estranhos mascarados sem motivo aparente.

No Capítulo Final, isso se revela um equívoco completo, oque funcionava como mistério minimalista no original de 2008 vira aqui uma tentativa forçada de dar origem, motivação e arco aos assassinos e à protagonista, o resultado? Tudo o que tornava os Estranhos perturbadores desaparece, explicar o inexplicável mata o terror.
O roteiro de Alan R. Cohen e Alan Freedland é preguiçoso e repetitivo, o filme se perde em explorações desnecessários, revelações que não surpreendem ninguém e personagens secundários introduzidos do nada, sem qualquer desenvolvimento.

As cenas de tensão são praticamente inexistentes: os jump scares são baratos, mal editados e previsíveis, os assassinatos, que deveriam ser o ponto alto de um slasher, são mal executados, com efeitos visuais amadores e montagem confusa que esconde a violência em vez de potencializá-la.
A direção de Harlin, que já havia mostrado fraquezas nos capítulos anteriores, aqui parece desistida, o ritmo é arrastado, a fotografia noturna é lamacenta e a trilha sonora genérica não constrói atmosfera nenhuma, o que era suspense claustrofóbico vira perseguições confusas na floresta, onde a geografia é tão mal definida que o espectador mal entende o que está acontecendo, fica claro que os três filmes juntos não dariam sequer um filme decente

Madelaine Petsch faz o que pode, é assim mesmo tem o carisma de uma alcachofra, carrega um peso emocional oco, o resto do elenco é desperdiçado em diálogos sonolentos e reações padronizadas.
O Capítulo Final ainda tem a “pachorra” de tentar dar um “fechamento” que ninguém pediu, vez de deixar o terror no vazio existencial do original, a trilogia inteira transforma os Estranhos em algo enfadonho , quase um sonífero.

O resultado é um filme que não assusta, não diverte e não acrescenta nada. É apenas mais 90 minutos de preenchimento de tempo de tela, Os Estranhos: Capítulo Final não é só ruim é o ponto culminante de uma trilogia que nunca justificou sua existência, essa “conclusão” só serve para provar que, às vezes, menos é infinitamente melhor.
Nota 0/5