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Petrobras segura preços em meio a conflito no Irã, mas setor alerta para risco de desabastecimento regional

Petrobras segura preços em meio a conflito no Irã, mas setor alerta para risco de desabastecimento regional

O equilíbrio entre o controle inflacionário e a segurança energética do Brasil entrou em uma zona crítica nesta semana. Enquanto a Petrobras reafirma sua política de não repassar a volatilidade internacional aos postos, a disparada do barril de petróleo  que rompeu a barreira dos US$ 100 devido ao fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã  criou um abismo de preços que começa a paralisar as importações privadas.

Preço do petróleo sobe com escalada de conflito no Oriente Médio: Irã fez ataque a Israel nesta terça-feira — Foto: Ahmad GHARABLI / AFP

O “Gargalo” da Importação

A teoria de que o preço está “segurado” esbarra na prática logística: o Brasil não é autossuficiente no refino de diesel, dependendo da importação de cerca de 25% do que consome.

  • Defasagem Crítica: Segundo a Abicom (Associação dos Importadores), mesmo após o reajuste de R$ 0,38 no diesel no último sábado (14/03), o combustível no Brasil ainda é vendido cerca de 60% mais barato que no exterior.

  • Trava nas Compras: Com essa diferença, os importadores privados pararam de contratar novos navios, pois teriam prejuízo ao vender o produto internamente. O volume contratado para abril é quatro vezes menor que o necessário.

Risco de Desabastecimento “Pontual”

Embora o governo federal tenha zerado impostos e anunciado uma subvenção econômica para tentar mitigar o impacto nas bombas, o setor logístico já sente os reflexos. No Rio Grande do Sul e em partes do Centro-Oeste, produtores rurais relatam atrasos e cancelamentos de pedidos de diesel em plena colheita da safra.

A ANP (Agência Nacional do Petróleo) descartou, em nota oficial, um risco de falta generalizada, atribuindo as falhas a “questões contratuais pontuais”. Contudo, entidades de classe alertam que, se a Petrobras não suprir toda a demanda que os importadores deixaram de atender, o país pode enfrentar “apagões” de combustível já na primeira quinzena de abril.

Termômetro da Crise

Indicador Situação Atual (19/03/2026) Tendência
Preço do Barril (Brent) Acima de US$ 105 Alta (depende do conflito no Irã)
Defasagem Diesel -60% em relação ao PPI Estável (pressão por novo reajuste)
Estoque Interno Garantido para as próximas 2-3 semanas Crítico para abril
Mobilização Social Caminhoneiros ameaçam paralisação nacional Alerta Vermelho

A Pressão das Estradas

O clima de tensão não se restringe aos escritórios. A ameaça de uma nova greve dos caminhoneiros voltou ao radar do Planalto. A categoria protesta contra a incerteza dos preços e o aumento do frete, que não tem acompanhado o custo operacional. Para evitar o colapso, o governo Lula estuda uma Medida Provisória para dividir a “conta bilionária” da defasagem com a Petrobras, evitando que a estatal arque sozinha com o subsídio.

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